Discurso Dr. José Salvador Silva - REDE MATER DEI DE SAÚDE

Discurso Dr. José Salvador Silva

Homenagem recebida da Associação Médica de Minas Gerais, Conselho Regional de Medicina e do Sindicato dos Médicos 
 
"Perto de atingir os meus 90 anos, os amigos descobrem minha finitude, fragilidade e decidem nos homenagear. Sejam minhas primeiras palavras para, emocionado, agradecer a todos nesta semana do médico 2018, especialmente à Dra. Maria Inês de Miranda Lima, presidente da Associação Médica de Minas Gerais, à Dra. Cláudia Navarro, presidente do Conselho Regional de Medicina, ao Dr. Fernando Luiz Mendonça, presidente do Sindicato dos Médicos de Minas Gerais, e a todos os componentes das respectivas presidências e diretorias. 

A homenagem que recebemos dos nossos colegas é, sem dúvida, a honra maior, mais importante de todas, porque vem de pessoas que foram testemunhas vivas da nossa trajetória, dos nossos ideais, da nossa atuação médica. Testemunharam nosso trabalho, nossas lutas, nossa postura profissional e nosso comportamento ético. Na minha vida profissional sempre estive próximo da Associação Médica de Minas Gerais. Partilhei com o professor Hilton Rocha ativamente do seu sonho e projeto de interiorização, valorização e consolidação desta associação em toda Minas Gerais através das muitas jornadas médicas acadêmicas e científicas que alcançaram quase uma centena de cidades polo do nosso estado. Estivemos próximos também dos professores Clóvis Salgado, Lucas Machado e Henrique Horta. Hilton Rocha, JK e o jornalista Carlos Lacerda foram os três melhores, maiores e mais brilhantes oradores do Brasil naquela época. Nossa geração teve o grande privilégio e a oportunidade de ouvi-los várias vezes. Hilton Rocha duas vezes presidente da Associação Médica de Minas Gerais e uma vez presidente da Associação Médica Brasileira. No final da vida internado no seu hospital no alto da Av. Afonso Pena fui visitá-lo algumas vezes até seu falecimento aos 82 anos em 1993. 

Meus amigos: fui um menino humilde, tímido, capiau e frango caipira de Santana do Pirapama e Baldim, mas também fui sempre um idealista e um sonhador. Sempre gostei do provérbio de Walt Disney: “Se você pode sonhar, você pode realizar.”. Permitam-me compartilhar nesta noite com vocês alguns destes meus sonhos. Sonho permanente de infância: ser médico. Primeira paixão aos sete anos: conhecer, ouvir e acompanhar uma banda de música. Paixão inesquecível, memorável, duradoura. Sonho de médico: construir um hospital que fosse um prolongamento do nosso consultório. Que atendesse os clientes de forma humana, personalizada, individualizada. Sonho da juventude: encontrar uma mulher especial, linda, inteligente, amor para toda a vida, Norma, que conheci ainda estudante na faculdade de medicina e que viera da longínqua feira de Santana, na Bahia. Casamos e foram quatro cesáreas em apenas quatro anos uma heroína: e daí nasceram Henrique, Renato, Maria Norma e Márcia. E mais 10 netos e cinco bisnetas. O sonho Mater Dei foi realizado e inaugurado em primeiro de junho de 1980. Adotamos de início uma decisão sábia, estratégica, importante e fundamental responsável também pelo nosso sucesso: compartilhar o sonho Mater Dei, com todos os profissionais que atuaram ou atuam direta ou indiretamente nele. E esse sonho compartilhado passou a contaminar e fazer parte da vida de muitas pessoas. Transformou nosso projeto numa força telúrica estimulante e mobilizadora, fundamental, necessária e decisiva. E é por isso que a homenagem que recebo nesta noite pertence também com destaque especial à diretoria, mas também a todos os profissionais e pessoas que atuam ou atuaram no Mater Dei. Descobrimos que na vida nosso estímulo maior é a própria jornada desde que ela tenha um sentido superior, uma meta clara, um ideal altruísta, uma força e um propósito maior. 

Também aprendi e descobri na vida que construir e edificar um hospital, ou o exercício integral e humano do profissional da saúde são dois exemplos autênticos, vivos e semelhantes, ambos muito semelhantes repito, de serem uma autêntica e verdadeira obra prima de amor. É impossível construir ou edificar um hospital sem um bom planejamento prévio. Também é impossível exercer bem a medicina sem compaixão, empatia, disponibilidade, ética e competência profissional. Cabe ao profissional da saúde jamais esquecer e lembrar sempre da força importante de um abraço solidário e da magia de uma palavra carinhosa. Sempre acreditei e acredito que todo indivíduo apaixonado pela medicina, ou por um grande ideal, trabalha e luta com mais vigor, determinação, energia, concentração e produtividade. Suporta a inveja, a ingratidão, as injustiças, as críticas maledicentes mas vence todas, inclusive a estafa, o stress e a doença. Sabem porquê? Repito: sabem porquê? Porque as forças místicas e misteriosas da eternidade estão e estarão sempre presentes e em ação. Assistimos todos nós a grandes mudanças e progressos da medicina que repercutiram muito na saúde, na doença e no comportamento social. Pela primeira vez na história, hoje morrem mais pessoas que comeram demais do que de menos. No século XX quase duplicamos a expectativa de vida que passou de quarenta para setenta anos. A descoberta da pílula e do controle da natalidade fez uma revolução na vida da mulher moderna porque possibilitou e possibilita um planejamento familiar e principalmente profissional até então difícil e impossível pela imprevisibilidade e consequências de gestações não planejadas. Possibilitou à mulher planejar, evoluir, se libertar e crescer em todos os níveis. Nesta noite presenciamos dois exemplos vivos de duas médicas exemplares vitoriosas e vencedoras.

Pela primeira vez na história uma médica é eleita para presidir a Associação Médica de Minas Gerais. Parabéns à Dra. Maria Inês de Miranda Lima. Também pela primeira vez na história, uma médica é eleita presidente do Conselho Regional de Medicina: parabéns Dra. Cláudia Navarro Duarte Lemos. Vamos, pois, homenageá-las de pé com uma salva de palmas. Meus amigos: amar, sonhar e transformar ideais e projetos sociais em realidade são as únicas razões pelas quais vale a pena viver. Cabem aqui mais uma vez, as palavras mágicas de Fernando Pessoa: “Navegar é preciso, viver? Somente viver não é preciso”. Navegar tem o significado simbólico de que o necessário é criar e contribuir para a evolução da sociedade. Sempre afirmei que navegar tem também para nós o significado metafórico de roubar uma parte da vida para dedicar aos sonhos, ideais e realizações que não queremos que morram conosco. Sempre amei e fui um apaixonado pela medicina. Edificar e construir o Mater Dei significou e significará para sempre uma maneira idealizada e transcendental de ser médico para sempre: para sempre repito até depois da minha morte. 

Muito obrigado a todos."

Publicado em: 22/10/2018

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