Incontinência Urinária em Mulheres - REDE MATER DEI DE SAÚDE

Incontinência Urinária em Mulheres

A grande maioria, senão todas as mulheres irão ter ou tiverem algum episódio de perda de urina involuntária caracterizando um quadro de incontinência urinária. Quando estas perdas impactam as atividades sociais, sexual ou familiares, é hora de procurar um especialista.

Além de gravidez e parto, as características anatômicas femininas, uretra mais curta e ao diafragma pélvico com três orifícios (uretra, vagina e anus) as mulheres sofrem mais de incontinência urinária e fecal do que os homens. 

Aliado a hábitos de vida, como sedentarismo, obesidade, exercícios físicos que sobrecarregam o assoalho pélvico  e a doenças como constipação intestinal, tosse cronica associada ou não ao tabagismo, desnutrição com perda de massa muscular, a incontinência pode ser multifatorial e deve ser tratada de forma multi-disciplinar.

Distúrbios do colágeno , predisposição genética e a chegada da menopausa e a senilidade também são fatores que impactam as funções do assoalho pélvico.

Hoje sabemos que a incontinência urinária pode vir acompanhada de síndromes dolorosas da pelve, infecções urinárias de repetição, dor ou incapacidade para ter relações sexuais e incontinência anal para gazes ou fezes. Também sabemos que algumas doenças neurológicas, ortopédicas e alguns medicamentos usados para outras doenças  são a origem dos distúrbios urinários.

Torna-se fundamental que o profissional que atende a mulheres incontinentes faça uma investigação minuciosa para chegar ao principal fator desencadeante da incontinência urinária.

Aliado a um maior entendimento sobre o que leva a incontinência, vieram também tratamentos menos invasivos e drogas com menos efeitos colaterais. Este é um ponto fundamental para chamarmos a atenção neste artigo- o diagnóstico correto é que vai levar ao melhor tratamento. Nem sempre a cirurgia, por menos invasiva que ela seja, esta indicada, e mal indicada ela vai levar não só  a uma piora do quadro, como também dificultar um tratamento que inicialmente poderia ser mais simples.

Por outro lado alguns casos mais avançados de queda de útero, vagina, e reto, popularmente chamados de rotura perineal, vão necessitar de um tratamento cirúrgico, que devolva não só a anatomia correta, mas também a função correta dos órgãos acometidos.
Em se tratando de assoalho pélvico não há como dissociar conceitos de anatomia e função, temos que trabalhar os dois juntos. Este é o nosso desafio, só assim devolveremos a qualidade de vida as mulheres que nos procuram.

Alertamos ainda a importância de um trabalho  preventivo  de orientação para que as mulheres entendam que a musculatura e ligamentos desta área do corpo podem e devem ser trabalhados como as de qualquer outra área. E que devemos também minimizar fatores que sobrecarregam a musculatura, como os citados acima.

Na década de oitenta a uroginecologia surgiu e com ela uma grande luz sobre esta área tão complexa da mulher.  há trinta anos surgia a unidade de disfunções do assoalho pelvico da Rede Mater Dei de Saúde, que trabalha com uma equipe multidisciplinar de ginecologistas, urologistas, coloproctologistas e fisioterapeutas, para oferecer o que há de melhor as nossas pacientes.

E fica o alerta final - procure seu médico, perder urina e ou fezes involuntariamente  não é natural da mulher.

Márcia Salvador Géo – médica e coordenadora do Serviço de Ginecologia, Obstetrícia e Vice-presidente Operacional, Assistencial e Diretoria Clínica da Rede Mater Dei de Saúde. 

Publicado em: 15/03/2017

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