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Na fertilização in vitro a técnica de ICSI seria para todos?

Atualmente, o grande foco da reprodução assistida é a individualização das indicações e tratamentos voltados às pessoas que necessitam de auxílio para engravidar.

Todas as atualizações científicas nos últimos três anos vêm questionando o uso de protocolos generalizados, que não levam em consideração o perfil de cada caso ou paciente. Isso vale tanto para o tipo de tratamento indicado, quanto para a medicação ou as técnicas de laboratório utilizadas.

Quando falamos de reprodução assistida e técnica de fertilização in vitro – FIV, na grande maioria das vezes, o processo utilizado para garantir uma melhor fecundação e número de embriões disponíveis no laboratório seria a injeção intracitoplasmática de espermatozoides no óvulo, ou o que conhecemos pela sigla ICSI. Hoje, questiona-se muito o uso ou a superutilização dessa técnica nos tratamentos de fertilidade. Nos relatos mundiais sobre resultados de tratamentos de infertilidade (World Report on Assisted Reproductive Technologies) que cobrem cerca de 4,5 milhões de ciclos de FIV, observa-se uma ocorrência de duas vezes mais na utilização da técnica de ICSI (Injeção intracitoplasmática do espermatozoide) sobre a de FIV convencional. Embora a técnica de ICSI tenha sido, originalmente, desenvolvida para tratar a infertilidade masculina decorrente de uma produção muito baixa de espermatozoides, em número ou qualidade, na atualidade ela, claramente, vem sendo usada para muitas outras indicações – como a idade materna avançada – e, assim, garantir uma melhor fertilização.

Essa questão tem motivado muita discussão em congressos nacionais e internacionais, preocupados com a individualização e controle da qualidade de tratamentos em reprodução. A proposta atual é individualizar tudo para o paciente que procura auxílio por técnicas de reprodução assistida, incluindo a indicação da técnica de ICSI. Essa não deveria ser realizada como técnica padrão do laboratório na tentativa de melhorar os resultados e deveria ser oferecida como uma opção voltada para os casos de limitações na qualidade do sêmen.

O staff de laboratório e a equipe médica do Centro de Reprodução Humana Mater Dei, sempre em busca da qualidade no tratamento oferecido aos nossos pacientes, segue atento a essas atualizações. Sempre discutindo caso a caso entre as equipes, nos sucessos e insucessos e, assim, definindo a melhor conduta a ser seguida para aquele perfil de paciente. Estudos recentes pontuam que ICSI para todos não foi capaz de melhorar as taxas de gravidez e nascidos vivos ao longo dos anos, principalmente, onde não há um fator masculino associado. Muitas vezes, técnicas mais invasivas não são a melhor solução.

Consulte: Mater Dei Santo Agostinho – Rua Mato Grosso, 1.100 – 2º andar – 31.3339-9495.

RESPONSÁVEL:
Rívia Lamaita
Ginecologista, Obstetra e Coordenadora do Centro de Reprodução Humana Mater Dei
CRM-MG: 28859


Publicado em: 28/09/2016

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