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Lipoaspiração/lipoescultura (cirurgia de contorno corporal)

A lipoaspiração é um método cirúrgico desenvolvido na Europa, particularmente na Suíça e França, a partir de 1977. Foi apresentado pela primeira vez, fora da Europa, em um congresso da nossa Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, em Fortaleza.

A lipoaspiração destina-se a remoção de gordura localizada, de qualquer região do corpo, com mínimas cicatrizes, por meio de um aparelho especial de vácuo, desde que consideradas algumas particularidades como a textura e elasticidade da pele, dentre outras.

A lipoescultura é um termo mais recentemente difundido, que caracteriza a mesma lipoaspiração e a utilização desta gordura aspirada para preenchimentos de alguma depressão corporal (lipoenxertia).

Obviamente, não é um tratamento de obesidade, devendo ser encarado como uma cirurgia de modelação ou de contorno corporal. Sendo uma cirurgia que retira determinada quantidade de gordura, poderá haver uma redução no peso, que varia de acordo com o volume corporal de cada paciente. Não são, entretanto, os “quilos” retirados que definirão o resultado estético, mas sim as proporções que cada área determinada irá manter com o restante do tronco e os membros.

AS CICATRIZES

As cicatrizes da lipoaspiração correspondem a pequenos cortes que são cuidadosamente colocados em pontos estratégicos para a devida remoção gordurosa, mas que são planejadas para estarem disfarçadas em sulcos, dobras, relevos naturais ou em áreas normalmente cobertas por vestes, na maioria dos casos. Passam por toda a evolução normal de uma cicatriz, tornando-se discretas, de uma maneira geral na maioria dos casos.

INDICAÇÕES

Como referimos anteriormente, esta técnica pode ser utilizada para qualquer região corporal que apresente acúmulo localizado de gordura. Entretanto, há limitações técnicas e anatômicas como toda cirurgia estética. A “lipo” não vai corrigir flacidez de pele ou da musculatura local. Assim, resultados espetaculares nem sempre são possíveis, e nesses casos, a remoção do excesso de gordura poderá acentuar a flacidez, já que a pele (com sua elasticidade prejudicada) ficará sem uma boa sustentação.

Por ser um tratamento de acúmulo localizado de gordura, a lipoaspiração não deve ser encarada como uma opção entre este procedimento e a plástica de abdome. Nos casos de indicar lipoaspiração pura, não deverá haver flacidez de pele, mas somente excesso localizado de gordura em uma região com boa textura e elasticidade da pele. Na flacidez abdominal há excesso de tecidos sem boa elasticidade da pele, sendo sua remoção a única opção, podendo até estar associada a “lipo” de outras áreas.

Não há limitações de idade para esta cirurgia, mas apenas pelas condições de flacidez e elasticidade de pele. Entretanto, mesmo nos casos de flacidez, a lipoaspiração pode ser considerada. Assim, ou a “lipo” será complementada por uma remoção de pele flácida ou o cliente deverá aceitar a possibilidade de ficar com um grau mais acentuado de flacidez naquela região, com possíveis irregularidades de superfície.

Grandes lipoaspirações (mega lipoaspirações) são procedimentos passíveis de maiores riscos operatórios e devem assim, ser desaconselhados. Às vezes o médico prefere indicar o tratamento dividido em etapas, pensando em maior segurança para o paciente. É comum o paciente pedir para o cirurgião retirar toda a gordura da região a ser tratada. Porém, o cirurgião deve esclarecer que a pele é sustentada por esta camada de gordura e que a sua total remoção poderá cursar com irregularidades da pele ou até mesmo risco de necrose (morte) tecidual por falta de vascularização local.

A lipoaspiração pode ser associada a outras cirurgias, dependendo das suas dimensões e da particularidade de cada caso. Isto será esclarecido pelo cirurgião, ponderando-se as expectativas e as possibilidades técnicas.

RISCOS DA CIRURGIA

A “lipo” não é simplesmente um tratamento de beleza. É uma cirurgia e como tal tem seus riscos, até mesmo de vida. Não há procedimento cirúrgico, mesmo que estético, sem possibilidade de risco. Existem informações errôneas quanto a esta cirurgia, geradas por casos excepcionais de pacientes operadas em condições adversas à normalidade.

A lipoaspiração, como procedimento eletivo, é uma conduta cirúrgica planejada, podendo aguardar a oportunidade ideal para ser realizada, razão pela qual os riscos sistêmicos a ela inerentes são menores que aqueles associados às cirurgias de urgência. Entretanto, esta cirurgia não apresenta maiores riscos que as outras operações estéticas, como se costuma dizer.

“O paciente precisa entender que a plástica é um ramo nobre da cirurgia geral e, como tal, é procedimento de risco. Uma transformação radical só Deus poderia fazer.”
Ivo Pitanguy – conceituado cirurgião plástico brasileiro

CUIDADOS PRÉ-OPERATÓRIOS

Após conversar com o médico e esclarecer todas as dúvidas, ele lhe indicará ao paciente alguns exames de rotina, que deverão ser feitos cerca de dez dias antes da cirurgia. Também uma avaliação clínico-cardiológica (risco cirúrgico) será recomendada. Em casos determinados, o médico poderá indicar o ultra-som abdominal ou outro exame específico que possa ajudar no esclarecimento diagnóstico.

É importante lembrar das recomendações gerais para as cirurgias, como:
- Não usar, por duas semanas antes, medicamentos à base de AAS, anticoagulantes, corticóides de uso prolongado ou medicamentos para emagrecer;
- Abstinência do fumo por 30 dias antes da operação;
- Não usar cremes corporais a partir da véspera da cirurgia;
- Jejum de acordo com a recomendação médica (específico em cada caso);
- Comunicar ao seu médico qualquer anormalidade ou uso recente de medicamentos, alergias medicamentosas ou alimentares e alguma outra recomendação que venha a ser pertinente;
- Guardar em casa objetos pessoais como jóias e bijuterias;
- Acordar de jejum no dia da cirurgia, tomar banho completo e chegar ao Hospital uma hora antes da cirurgia com acompanhante.

A CIRURGIA

A anestesia comumente é a peridural com sedação, para as cirurgias no tronco e membros inferiores. Poderá ser geral ou mesmo local em casos determinados pela equipe cirúrgico-anestésica e também de acordo com a região a ser aspirada, cirurgias associadas ou preferência do paciente.

Pode ter caráter ambulatorial (alta hospitalar no mesmo dia) ou necessitar de internação por um ou mais dias, também dependendo das possíveis cirurgias associadas e casos especiais.

Após a anestesia, procede-se à infiltração de uma solução salina com adrenalina na área a ser aspirada, com a finalidade de facilitar o procedimento e reduzir os possíveis sangramentos. Também existe a lipoaspiração “a seco” que é usada por alguns cirurgiões. Estas questões técnicas serão esclarecidas pelo médico. Através de cânulas de diversos calibres e formatos, a gordura é aspirada, dando o contorno programado.

O tempo da cirurgia vai depender da área a ser tratada. O tempo necessário é aquele suficiente para dar o melhor resultado em cada caso (em geral, cerca de três a quatro horas). Assim, também os gastos com as despesas médicas e hospitalares serão proporcionais à extensão do procedimento. Isto deverá ser detalhadamente esclarecido em consulta preliminar.

Os pequenos orifícios necessários para a cirurgia serão suturados (pontos) e a área operada será comprimida por modeladores elásticos ou faixas compressivas, cujos modelos vão variar de acordo com a região tratada. Esta compressão é extremamente importante para o controle do edema (inchaço) e remodelação corporal, somente sendo retirada para o banho na fase inicial do pós-operatório.

ORIENTAÇÕES PÓS-OPERATÓRIAS

Normalmente esta cirurgia não apresenta um pós-operatório doloroso. A sensação é comparada com a atividade física intensa em pessoas que não costumam se exercitar. Mesmo assim, se apresentar algum grau aumentado de sensibilidade dolorosa, o uso de analgésicos comuns resolve bem e serão recomendados em prescrição de pós-operatório. Somente devem usados medicamentos recomendados pelo médico, seguindo todas as orientações dadas pela equipe cirúrgica. É melhor que o paciente esclareça as dúvidas com quem o operou, evitando pedir orientações a amigos que não conhecem detalhadamente o seu caso.
Em geral, o paciente somente perceberá as alterações de medidas após cerca de 30 dias decorridos da cirurgia. Mesmo assim, o inchaço só regride completamente com, aproximadamente, três meses após o procedimento cirúrgico. Nas primeiras semanas ou mesmo meses, as áreas tratadas, além de estarem sujeitas a períodos de “inchaços”, poderão apresentar alguns pontos mais densos que outros. Esses pontos geralmente só são perceptíveis à palpação e tendem a desaparecer após o 3º mês decorrido da cirurgia. Com o decorrer dos meses, o paciente tendo realizado as devidas drenagens linfáticas e os exercícios orientados para modelagem, vai gradativamente atingindo o resultado definitivo.

O paciente receberá alta hospitalar com todas as recomendações necessárias a uma boa recuperação:

- Repouso relativo de atividades físicas e limitação de movimentos bruscos e amplos;
- As pequenas caminhadas são muito importantes já no dia seguinte da cirurgia, assim como são recomendadas a movimentação e massagem dos membros inferiores e pés logo após a cirurgia, com objetivo de prevenir possíveis casos de trombose;
- Não há a necessidade de o paciente permanecer deitado durante todo o dia. Ele deve descansar na posição das costas para que, ao deitar, consiga relaxar. Ao assentar, não deve dobrar agudamente sobre a área operada, evitando comprimi-la;
- Não deitar de lado ou de bruços até que seja autorizado pelo seu cirurgião;
- Banhos ou trocas do modelador somente com a autorização da equipe cirúrgica ou sob sua orientação, geralmente no 1º dia após a cirurgia, é indicado o banho;
- Não trocar ou manipular os curativos, mesmo que haja um pequeno sangramento (que é normal e não deve assustar o paciente). Todas as trocas de curativos deverão ser feitas pela equipe cirúrgica ou orientadas por ela;
- Os retornos para a retirada de pontos e avaliação pós-operatória são feitos com oito dias da cirurgia.
Retornos adicionais serão comunicados pelo cirurgião e devem ser seguidos para uma completa recuperação e avaliação dos resultados;
- Não dirigir por um período variável de oito dias, dependendo da extensão de cada caso;
- Não carregar peso por no mínimo três semanas;
- Após três meses decorridos da cirurgia, o paciente poderá retornar a suas atividades físicas habituais como ginástica geral, abdominal e natação. Elas irão ajudar na conservação dos resultados;
- Exposição ao sol, com o intuito de bronzear, somente será permitida após 30 dias decorridos da cirurgia. Até aí, pequenas caminhadas sob o sol poderão ser feitas com o uso de bloqueadores solares;
- Vida sexual, com moderação, estará liberada após oito dias decorridos da cirurgia;
- O(a) paciente jamais deverá fazer compressas quentes na área operada, com intuito de melhorar o inchaço. A pele ainda estará sensível e poderá ocorrer queimadura de 3º grau;
- Nas lipoenxertias (preenchimento de depressões), as áreas tratadas não podem sofrer compressão para evitar a reabsorção da gordura enxertada. Toda recomendação específica poderá esclarecida de acordo com cada caso.
- De acordo com orientação médica, é recomendada a realização de massagens (drenagem linfática) com início no 5º dia de pós-operatório até cerca do 30º dia, ou de acordo com a avaliação médica. Condutas complementares em Academias, com esteticistas ou mesmo fisioterapeutas, poderão melhorar bastante o resultado final, pois, a modelagem muscular é um fator de grande importância no novo contorno corporal;
- Os modeladores ou cintas especiais ajudam a modelar o corpo no pós-operatório, sendo geralmente indicados por um período de 30 dias decorridos da cirurgia.

INTERCORRÊNCIAS

As intercorrências são situações que surgem no período pós-operatório e não interferem no resultado. São exemplos:
- equimoses (manchas roxas na pele);
- edema (inchaço);
- pequenos hematomas, que podem drenar espontaneamente ou necessitar drenagem cirúrgica;
- deiscência de pontos (abertura do corte);
- seroma, coleção de líquidos que se forma pelo grande descolamento tecidual;
- alterações permanentes (definitivas) ou passageiras da sensibilidade melhoram após vários meses, etc.

Outras intercorrências indesejáveis e mais complexas:
- infecção;
- em grandes perdas sanguíneas há necessidade de transfusão de sangue;
- necrose parcial ou total da pele (sendo o tabagismo a principal causa);
- aumento da flacidez da pele na área aspirada;
- e as intercorrências pertinentes a qualquer procedimento cirúrgico.
As irregularidades de superfície podem ocorrer devido a uma retração da pele e a permanência de alguns volumes indesejáveis. Sua ocorrência, felizmente, não é freqüente e não costuma comprometer os resultados. Nestas eventualidades, é fundamental manter a calma e conversar profundamente com o médico que cuidará atentamente do caso. O paciente não deve transmitir a existência destas intercorrências a amigos e familiares. Eles poderão deixá-lo inseguro, nada podendo fazer efetivamente para ajudá-lo. Isto gera angústia, dúvidas e insegurança. Continuar confiando no médico ainda é o melhor caminho e ele saberá como ajudar.

EVOLUÇÃO EM LONGO PRAZO

A lipoaspiração não é cirurgia para o resto da vida. A qualidade dos resultados sofre alterações contínuas ao longo dos anos. Alguns fatores como idade, variação do peso corporal, qualidade e textura da pele, influências hormonais, gravidez e outros interferem de forma incisiva no organismo, independentemente de ter ou não sido operado. As células gordurosas residuais (adipócitos) podem aumentar de volume quando o paciente volta a ganhar peso. A não ser que este ganho de peso seja grande, mesmo que o paciente engorde, são preservadas as formas. A manutenção dos resultados de uma lipoaspiração, portanto, mais dependem do paciente, que será orientado a manter um programa de exercícios físicos e de controle de peso. Assim, nova cirurgia poderá ser indicada quando, com o passar do tempo, se estas alterações se apresentarem, alterando o formato e/ou volume da área operada. Esta nova cirurgia não é, entretanto, um retoque da primeira. É um novo procedimento que poderá ser indicado para tratar as deformidades decorrentes dos fatores anteriormente citados.

IMPORTANTE: A lipoaspiração não faz milagres. Como qualquer tipo de cirurgia pode determinar resultados que não dependem do cirurgião. A idade, o volume de gordura a ser aspirado, a flacidez de pele e da região e a acomodação desta pele no pós-operatório podem interferir no resultado final. Uma segunda ou mesmo terceira cirurgia pode fazer parte do programa de tratamento. Resultados definitivos somente devem ser considerados após 6 a 12 meses decorridos da cirurgia. As cirurgias de retoques, quando necessárias, serão aconselhadas pelo cirurgião, devendo-se respeitar o tempo necessário para a adequação dos tecidos e acomodação das cicatrizes. Quando realizadas em momento inoportuno, podem não alcançar os resultados desejados. Os retoques não significam incapacidade técnica, mas sim uma revisão cirúrgica para se alcançar resultados ainda melhores.

O código de normas e condutas do cirurgião plástico da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica proíbe a exibição de fotos de pré e pós-operatório, mesmo que haja autorização do paciente. Proíbe, ainda, o uso de fotos de partes do corpo. A divulgação de preços e condições de pagamento em meios de comunicação, como jornal e TV é vedada.

Consulte informações sobre seu cirurgião plástico junto à Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.

Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica Nacional
Fone: (11) 3826-1499 / Fax (11) 3826-1710

Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica Nacional - REGIONAL/MG
Fone: (31) 3275-1488 / Fax (31) 3275-2044




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