Recém-nascido no berçário
Após
o momento mágico do nascimento, quando os cuidados
pediátricos imediatos já foram executados,
você terá a felicidade de ver e tocar seu
bebê. Ele estará em seu colo e este é
um momento importante no fortalecimento do vínculo
mãe-filho iniciado durante a gravidez. A presença
do pai na sala de parto é importante não
só para dar segurança e incentivo à
mãe nos momentos que antecedem o parto como também
para participar desse acontecimento tão importante
para a família. O pediatra ficará ao seu
lado, observando as reações do seu bebê,
sua cor, sua respiração, sua temperatura
e permitirá, sempre que possível, que
vocês aproveitem ao máximo este período
de conhecimento mútuo tão gratificante.
Se o bebê estiver bem alerta, já poderá
iniciar a sucção ao seio.
O
tempo que o bebê ficará na sala de parto
dependerá de suas condições clínicas
e das condições ambientais da sala. O
pediatra estará alerta ao bem estar de seu filho
e a orientará sobre a rotina do hospital. Como
é necessário manter a temperatura corporal
do seu recém-nascido, ele será trasferido
para o berçário, onde ficará em
incubadora com temperatura em torno de 32 graus centígrados.
O pediatra irá, mais uma vez, conferir a identificação
na pulseira e seguirá com seu filho para o berçário.
Lá ele será inicialmente pesado e logo
a seguir ficará na incubadora por um período
suficiente para se recuperar do parto e estabilizar
seus parâmetros como: temperatura, respiração,
freqüência cardíaca, drenagem de secreções,
etc.
Durante este período o recém-nascido
passa por 6 estágios de reatividade, que vão
do choro gritado ao sono profundo.
O tempo que seu filho ficará no berçário
dependerá principalmente de sua estabilização
clínica. Tendemos a diminuir o período
de separação mãe-filho, liberando
o recém-nascido para o quarto ou Alojamento Conjunto
tão logo suas condições clínicas
o permitam. O ideal é que o recém-nascido
vá direto da sala de parto para o Alojamento
Conjunto. Em sua permanência no berçário
o recém-nascido deve ficar sob observação
rigorosa. Serão avaliados o ritmo respiratório,
a presença de palidez ou cianose, gemidos, tremores,
hipo ou hipertermia, o tipo de choro, os reflexos e
a possibilidade de alguma alteração física.
Pesamos e classificamos o bebê.
Aspiramos
com freqüência as secreções
das vias aéreas superiores e fazemos lavagem
gástrica com soro fisiológico naqueles
recém-nascidos que estiverem com muita secreção
gástrica, apresentando vômitos e naqueles
que deglutiram sangue ou mecônio.
Instilamos 1 gota de Solução de Nitrato
de Prata a 1% em cada um dos olhos da criança,
a fim de prevenir a Oftalmia Gonocócica, e aplicamos
1 mg de Vitamina K intramuscular para prevenir a Doença
Hemorrágica do recém-nascido. São
procedimentos rotineiros e padronizados para todos os
hospitais.
Exame físico inicial
O exame físico detalhado do recém-nascido
deverá ser realizado entre 6 e 12 horas de vida,
quando ele já estiver estabilizado e de preferência
nos estágios III ou IV de reatividade (alerta
e sem estar chorando). Poderá ser realizado no
berçário ou no Alojamento Conjunto, ao
lado dos pais, fornecendo-lhes orientações
sobre os achados clínicos. Inicialmente o pediatra
fará uma avaliação geral do seu
bebê olhando a cor da pele, sua postura, classificando-o
de acordo com a idade gestacional e o peso de nascimento,
observando o estado de alerta, sentindo o tônus
muscular, os reflexos e o grau de nutrição.
Observará a "fácies", as características
do olhar e a movimentação dos membros.
Notificará se ele já urinou ou evacuou
e, só então, prosseguirá com o
exame físico detalhado de cada segmento corporal.
- Pele: observa-se a cor, a textura, o grau de ressecamento,
se existem fissuras nas dobras, manchas claras e escuras,
o grau de hidratação e a presença
de nevus, hemangiomas, vesículas ou pústulas.
Observa-se também a distribuição
de pêlos e lanugem, o aspecto das unhas, a perfusão
das extremidades, o tipo de cabelo e a distribuição
do tecido subcutâneo.
- Cabeça: observa-se a posição
da cabeça, sua sustentação e
movimentação, as suturas e as fontanelas.
Nota-se a conformação do crânio
e a distribuição do cabelo no couro
cabeludo. Palpa-se o contorno dos ossos do crânio.
- Olhos: observa-se a posição, a cor,
a presença de estrabismos, paralisias e ptose
das pálpebras. Examina-se a íris, a
conjuntiva e as pupilas. Palpa-se o tônus do
globo ocular.
- Ouvidos: observa-se a implantação
das orelhas, a conformação das hélices
do pavilhão auricular, o conduto auditivo e
testa-se a audição.
- Nariz: observa-se a forma, as narinas, o aspecto
das mucosas, a presença de obstrução
nasal e a presença de batimentos das asas do
nariz durante a respiração.
- Boca: observa-se a cor da mucosa, os lábios,
a presença de aftas, o aspecto da gengiva e
da língua e a possibilidade de haver dentes
supranumerários.
- Faringe: observa-se a cor, sangramentos, fenda palatina,
úvula e amígdalas.
- Laringe: observa-se alterações no
tom do choro, a presença de rouquidão
e o estridor laríngeo.
- Pescoço: observa-se o tamanho, a mobilidade,
a presença de gânglios e hematomas, e
os casos de torcicolo congênito.
Aparelho Cardiovascular
Palpação dos pulsos, ausculta do coração
e medição da pressão arterial.
Aparelho Respiratório
- Inspeção do padrão respiratório,
presença de esforço respiratório
e cuidadosa ausculta pulmonar.
- Abdome: observa-se a forma, dimensões, tensão,
presença de circulação colateral.
Faz-se a palpação superficial e profunda
do baço, fígado e rins.
- Genitais: observa-se a conformação,
a presença de corrimento vaginal, sinéquia
de pequenos lábios, hidrocele, fimose, etc.
- Sistema Nervoso: sente-se o tônus muscular,
observa-se o estado de reatividade, os reflexos primitivos
e o tamanho e consistência das fontanelas.
Problemas no Exame Físico
Pele
- palidez: é a coloração esbranquiçada
dos lábios e da pele. Ocorre em situações
em que o recém-nascido está anêmico
por perda de sangue, como ocorre, por exemplo, em
casos de descolamento de placenta ou em situações
em que há hemólise, como em casos de
infecção ou icterícia.
- cianose: é a cor "azulada" da pele,
principalmente nas extremidades sob as unhas e nos
lábios. Na maior parte das vezes está
relacionada com problemas cardíacos ou com
dificuldade respiratória.
- icterícia: é a cor "amarelada"
da pele. Significa que o recém-nascido está
produzindo um pigmento chamado bilirrubina, que dá
este tom amarelado à pele e mucosas. A bilirrubina,
quando presente em altos níveis no sangue,
atravessa a barreira hemato-encefálica e pode
ocasionar problemas neurológicos ao bebê.
- traumatismos: escoriações, lacerações,
edemas, hematomas podem ocorrer como conseqüência
traumática de parto natural ou pelo uso do
fórceps de alívio. Quando não
associados a sinais neurológicos, são
de bom prognóstico, necessitando apenas de
cuidados locais.
- eritema tóxico: é uma lesão
avermelhada, macopapular, semelhante à picada
de inseto, contendo em sua parte central pequena vesícula.
É de caráter migratório, aparecendo
em algumas áreas do corpo enquanto desaparece
de outras. Pode concentrar-se e às vezes estende-se
por todo o corpo. A origem é desconhecida,
provavelmente associada à alergia de contato
ou irritação da pele por roupa e sabões.
Desaparece espontaneamente, não necessitando
de cuidados especiais.
- manchas mongólicas: são manchas de
coloração arroxeada que se localizam
principalmente na região sacral e nádegas
sem significado patológico. Estão mais
relacionadas com características raciais e
regridem espontaneamente nos primeiros anos.
- hemangioma plano: neoformação vascular
que se manifesta por manchas avermelhadas e circunscritas
de localização preferencial na nuca,
pálpebra, glabela e região supralabial.
A maioria regride espontaneamente durante o primeiro
ano.
- milia: são pequenos pontos esbranquiçados
ou amarelados, localizados mais comumente no dorso
do nariz. Ocorrem em conseqüência de hiperplasia
de glândulas sebáceas, por ação
de hormônios maternos, e não devem ser
espremidos. Desaparecem nos primeiros dias de vida
à medida que diminui a taxa de hormônio
circulante no recém-nascido.
- miliaria ("brotoejas"): é um eritema
causado pelo aumento de secreção de
glândulas sudoríparas. Ocorre principalmente
nos locais de maior sudorese, como pescoço,
dorso e face de flexão dos membros. O tratamento
consiste em usar roupas leves, dar vários banhos
por dia para refrescar bem a pele e enxugar bem. Pode-se
usar "Pasta d'água".
Cabeça
- cavalgamento de suturas: é a superposição
das bordas ósseas do crânio com o desaparecimento
da sutura correspondente. É devida à
moldagem da cabeça fetal ao espaço intra-uterino
e ao canal de parto. Não necessita tratamento
especial, uma vez que regride com o crescimento do
encéfalo.
- bossa serossangüínea: tumefação
difusa, edematosa, localizada no subcutâneo
do couro cabeludo ou outras regiões correspondentes
à apresentação obstétrica.
A tumefação não tem limites precisos
e é depressível à pressão
e não dolorosa. Não necessita tratamento
e desaparece em alguns dias.
- cefalohematoma: tumefação de consistência
elástica, bem delimitada, não ultrapassando
a sutura óssea por ser uma coleção
sangüínea subperióstea. É
mais comum sob os parietais, uni ou bilateral, podendo
ser reabsorvido, às vezes calcificando-se.
Não deve ser submetido a nenhum tratamento,
contra indicando-se a punção esvaziadora
pelo risco de infecção. Pode ser causa
de anemia e icterícia.
Olhos
- oftalmia neonatorum: é uma conjuntivite que
se manifesta nso primeiros 12 dias de vida. É
provocada pela contaminação dos olhos
do recém-nascido durante sua passagem pelo
canal de parto. Os principais agentes são os
gonococos, outras bactérias e as clamídeas.
A profilaxia se faz pelo método de Credé,
que consiste em instilar 1 gota de solução
de Nitrato de Prata a 1% em cada olho logo após
o nascimento. O tratamento da conjuntivite é
feito com limpeza com água boricada e instilação
de colírio de antibiótico local.
- hemorragia conjuntival: clinicamente se manifesta
por áreas de hemorragia na esclerótica
e é geralmente conseqüente ao esforço
de nascimento. É reabsorvida espontaneamente
não necessitando tratamento.
- catarata congênita: é a opacificação
do cristalino e apresenta-se como uma mancha esbranquiçada
e opaca. ocorre principalmente em casos de infecções
congênitas, como rubéola e toxoplasmose.
O tratamento é cirúrgico.
- glaucoma congênito: é uma doença
caracterizada pelo aumento da pressão intra-ocular,
ocasionando alterações da papila que
se manifestam por defeitos do campo visual e diminuição
de visão. O glaucoma congênito ou infantil
é resultado de anomalias de câmara anterior
e caracteriza-se precocemente por fotofobia, lacrimejamento
e blefarospasmo. O tratamento é cirúrgico
e de urgência. Como o glaucoma, é hereditário
e transmite como traço autossômico recessivo.
O aconselhamento genético é indicado
em caso de se desejar outra gravidez.
Boca
- pérola de Epstein: são cistos de cor
esbranquiçada, contendo células epiteliais
e localizadas na linha média do palato. regridem
ao final de algumas semanas.
- calos de sucção: consistem em placas
bem delimitadas de epitélio cornificado, que
aparecem nos lábios durante as primeiras mamadas.
São achados normais, relacionados com a força
de sucção, dispensam tratamento e regridem
espontaneamente.
- dentes: às vezes o bebê nasce com dentes
supranumerários, que geralmente são
pouco aderidos às gengivas. Devem ser retirados
pelo risco de aspiração e engasgo.
Abdome
- hepatoesplenomegalia: corresponde ao achado no exame
físico de fígado e baço aumentados
de tamanho. Nestes casos o recém-nascido deve
ser submetido a exames laboratoriais para se pesquisar
a possibilidade de estar com infecção
congênita, principalmente sífilis, toxoplasmose,
rubéola ou doença de inclusão
citomegálica.
- rins aumentados de volume: devem ser sempre pesquisados,
pela possibilidade de malformações e
tumores. Nestas situações, todo recém-nascido
deverá ser submetido à ultra-sonografia
do sistema renal.
Umbigo
- granuloma umbilical: após a queda do coto
umbilical pode aparecer um tecido de granulação
avermelhado, com secreção serosa ou
hemorrágica escura. O tratamento é feito
através de cauterização com lápis
de Nitrato de Prata, 3 vezes ao dia, até o
desaparecimento do granuloma.
- hérnia umbilical: resulta da falta de fechamento
do anel umbilical. Manifesta-se por tumoração
umbilical redutível e indolor. Se não
ocorrer regressão espontânea até
os 6 anos, indica-se tratamento cirúrgico.
- onfalocele: consiste num defeito congênito
em que as vísceras abdominais, recobertas apenas
por fina membrana, expõem-se através
de uma abertura na região umbilical e supra-umbilical.
- onfalite: é um processo infeccioso do côto
umbilical que se manifesta por odor fétido,
edema vermelhidão peri-umbilical e secreção
purulenta no umbigo. Na presença destes sinais,
deve-se comunicar imediatamente com o pediatra.
Genitais
- corrimento vaginal: a genitália do recém-nascido
de sexo feminino pode apresentar-se com edema de grandes
lábios e corrimento leitoso e, mais raramente,
hemorrágico. Isto se deve à passagem
de estrógenos maternos para o feto nas últimas
semanas de gestação. A hemorragia desaparece
em 2 ou 3 dias, e o corrimento em poucas semanas.
- extrofia de pequenos lábios: é uma
achado comum e normal na prematura. Pelo pouco desenvolvimento
dos grandes lábios, os pequenos lábios
e o clitóris ficam mais expostos e salientes.
- testículos fora da bolsa: se a gestação
não atinge o termo, os testículos poderão
estar no abdome ou no canal inguinal e o escroto liso
e pouco pigmentado.
- criptorquia: é uma situação
clínica em que o escroto está vazio
e o testículo retido em algum ponto qualquer
do seu trajeto de descida. Pode ser uni ou bilateral,
associado ou não à hérnia inguinal.
Se o testículo não descer até
1 ano e 6 meses de idade, deve-se procurar o cirurgião
infantil.
- fimose: é caracterizada pela estenose do
ósteo prepucial, o que impede a retração
do prepúcio sobre a glande. O tratamento inicialmente
consiste em dilatações manuais delicadas
do prepúcio e limpeza do esmegma.
Paralisias
- paralisia facial: durante o choro, o bebê
apresenta uma assimetria facial com desvio da comissura
labial para um dos lados. Isto acontece porque o outro
lado está paralisado geralmente devido à
compressão do nervo facial em sua exteriorização
no crânio.
- paralisia branquial: quando o recém-nascido
fica com um dos braços estendido ao longo do
corpo deve-se pensar em paralisia branquial ou fratura
de clavícula. A paralisia branquial é
causada pelo estiramento do plexo branquial, em manobras
obstétricas que envolvem tração
do braço ou do pescoço. Durante a permanência
no hospital, seu filho ficará a maior parte
do tempo no quarto com você, indo ao berçário
apenas quando você solicitar, para troca de
fraldas ou alguma avaliação que se fizer
necessária. Todos os dias ele será examinado,
e o pediatra lhe dará informações
sobre o seu desenvolvimento nos primeiros dias de
vida. estando tudo bem, seu bebê receberá
alta hospitalar juntamente com você, em torno
de 24 a 48 horas, quando o parto é normal,
e 72 quando cesariana.
- fratura de clavícula: é a mais freqüente
das lesões ósseas que o recém-nascido
pode sofrer durante o parto. Nota-se dolorimento,
inchaço e, à palpação
da clavícula, pode-se perceber crepitações.
O tratamento consiste em imobilizar o braço
acometido por um período de sete dias.
- luxação coxo-femural: alguns bebês,
ao serem examinados, apresentam dificuldade em abduzir
as pernas. Este quadro pode ser decorrente de simples
postura intraútero, mas às vezes corresponde
a uma luxação coxo-femural; neste caso
o bebê deverá ser encaminhado ao ortopedista.
No momento da alta hospitalar você receberá
um relatório sumário com os dados de
seu filho, o papel para registro, e orientações
gerais para os seus primeiros cuidados em casa. Existem,
no entanto, algumas situações - na maioria
das vezes já diagnosticada na gestação
- em que o bebê vai precisar de cuidados especiais,
ficando assim restrito ao berçário,
na unidade de alto risco e não podendo ir ao
quarto. Nestes casos os pais são estimulados
a visitar o bebê no berçário e
se inteirar de suas necessidades. Nestas situações,
quase nunca o recém-nascido poderá sair
do hospital junto com você, pois ele terá
de fazer tratamentos, recebendo alta hospitalar quando
sua condição clínica o permitir.
Prematuridade
Após o nascimento, seu bebê será
classificado de acordo com a idade gestacional e o seu
peso de nascimento. Considera-se idade gestacional o
tempo de vida intrauterina. Na mulher o termo da gestação
corresponde a 40 semanas ou 280 dias. O peso de nascimento
é o primeiro peso obtido no berçário,
logo após o nascimento. A maioria dos bebês
nasce com idade gestacional entre 37 e 41 semanas inclusive,
e nesta situação são chamados de
recém-nascidos a termo. Pesam entre 2800g e 3200g
e nestas situações serão considerados
como tendo peso adequado para a idade gestacional.
Algumas
crianças nascem prematuras, ou seja, com a idade
gestacional inferior a 37 semanas. Nestas situações
o bebê nasce pequeno e frágil, quase sempre
com imaturidade funcional dos diversos órgãos,
como o pulmão, o fígado, o sistema nervoso,
e vai precisar de cuidados especiais no hospital e mesmo
depois da alta hospitalar. Quanto menor for a idade
gestacional e o peso de nascimento, maiores serão
os cuidados necessários para a sobrevivência
do pequeno prematuro. Alguns já têm o pulmão
bem formado e conseguem respirar; outros precisarão
de máquinas que fazem com que os pulmões
inflem e possam absorver o oxigênio vital para
a sobrevivência. Esses bebês são
geralmente tratados em centros especiais para prematuros
e, devido à sua fragilidade, são rigorosamente
observados e controlados quanto aos seus parâmetros
vitais.
A
maioria deles tem perda de peso ao nascimento e dificuldade
em manter a temperatura corporal. Ainda não desenvolveram
o reflexo de sucção e quase sempre precisam
ser alimentados por sonda de borracha na qual a dieta,
de preferência o leite materno, é introduzida
em quantidades delicadas e determinadas pelas necessidades
calóricas diárias. Quase todos vão
precisar de soro venoso para hidratação
e prevenção de hipoglicemia e hipocalcemia,
situações clínicas comuns no prematuro.
na maioria dos prematuros, o fígado ainda não
está com o funcionamento totalmente amadurecido,
apresentando deficiência de algumas enzimas responsáveis
pela captação e metabilismo da bilirrubina.
Isso
faz com com que o recém-nascido prematuro apresente
a icterícia da prematuridade, necessitando ficar
sob fototerapia, para evitar que a bilirrubina atinja
níveis sangüíneos lesivos ao sistema
nervoso. outro problema freqüente entre prematuros
é o risco e a susceptibilidade às infecções.
São crianças extremamente frágeis
que além de exigir condutas mantenedoras da vida,
apresentam menor defesa a infecções: quando
contaminados, as bactérias se espalham com rapidez
pela corrente sangüínea ocasionando quadros
sérios de septicemia. Este, então, é
o quadro da prematuridade. Crianças pequenas,
delicadas, muitas delas pesando menos de 1 kg, com imaturidade
dos órgãos necessários à
sua sobrevivência, necessitando do auxílio
de aparelhos e ao mesmo tempo sofrendo com esta "invasão"
à sua delicada privacidade.
Crescimento intra-uterino retardado
Algumas
vezes o recém-nascido é pequeno, mas não
pela prematuridade e sim porque apresentou um crescimento
intra-uterino retardado. Algumas doenças maternas
como a hipertensão, a má vascularização
placentária ou hábitos como o de fumar
durante a gravidez, podem ocasionar situações
em que o feto não "ganha peso" dentro
do útero. Nasce com baixo peso mesmo em gestações
com mais de 37 semanas ou, em outras palavras, mesmo
tendo tempo suficiente para crescer e ganhar peso dentro
do útero.
Esses bebês constituem um outro grupo de risco.
Não se comportam como prematuros porque os órgãos
já estão amadurecidos, mas apresentam
susceptibilidades a certas doenças conseqüentes
à situação de sofrimento fetal
crônico pela qual passaram durante a gestação,
muitas vezes agravada pelo sofrimento fetal agudo que
pode acontecer durante o trabalho de parto. São
bebês pequenos, com freqüência emagrecidos,
"enrugados", com fisionomia de velhos. Alguns
deles, devido ao sofrimento fetal, eliminam mecônio
intraútero e podem iniciar a respiração
aspirando o líquido amniótico tinto de
mecônio; ficam susceptíveis à pneumonia
de aspiração, que é um quadro grave.
Nestas situações é necessário
um rápido atendimento na sala de parto.
Essas
crianças nascem desnutridas e famintas. Precisam
ser alimentadas logo após o nascimento e, como
têm tendência à hipoglicemia, geralmente
precisam receber soro glicosado intravenoso, a fim de
que mantenham estável o nível de glicemia.
São também susceptíveis à
problemas neurológicos conseqüentes à
má oxigenação cerebral e também
são menos resistentes às infecções.
Assim, vemos que os recém-nascidos de baixo peso,
ou seja, aqueles com menos de 2,5 kg, constituem um
grupo heterogêneo e com necessidade de cuidados
especiais. Alguns são pequenos porque são
prematuros e não tiveram tempo de crescer e engordar
dentro do útero. São crianças especiais,
frágeis e que sofrem principalmente pela dificuldade
de se adaptarem à vida extra-uterina, com a pouca
bagagem que trazem de dentro do útero.
Outros são pequenos porque sofreram intraútero
da baixa oferta de nutrientes, nascem emagrecidos e
desnutridos e, embora ávidos pela sobrevivência,
têm dificuldades específicas que precisam
ser vencidas antes de iniciar seu desenvolvimento.
Filho de mãe diabética
Teremos ainda os recém-nascidos que nascem grandes
para a idade gestacional, com mais de 3,8 kg. Podem
ser constitucionais quando os pais são grandes,
mas muitas vezes são filhos de mães diabéticas
ou que desenvolveram diabetes gestacional. São
recém-nascidos grandes, obesos, muito corados,
mas que, apesar da aparência saudável são
muito frágeis e sujeitos a muitas doenças
específicas de sua situação clínica.
Podem apresentar hipoglicemia nas primeiras horas de
vida, hipocalcemia, icterícia e também
problemas pulmonares principalmente porque apesar de
serem grandes, muitos são prematuros. Têm
bom prognóstico, mas nos primeiros dias de vida
necessitam de muitos cuidados especiais.
Icterícia Neonatal
A icterícia é a coloração
amarelada da pele e das mucosas, em conseqüência
do aumento de um pigmento que circula no sangue e nos
tecidos chamado bilirrubina. A bilirrubina é
um subproduto da degradação da hemoglobina;
quando atinge níveis elevados na circulação
sangüínea pode atravessar a barreira hemato-encefálica
e impregnar os núcleos da base ocasionando um
quadro clínico chamado "kernicterus",
que se revela por distúrbios neurológicos,
incluindo convulsões e até risco de morte
durante a fase aguda. Quando sobrevive, o recém-nascido
que sofreu kernicterus pode apresentar seqüelas
neurológicas graves como córeoatetose,
paralisias, retardo mental e surdez.
Os recém-nascidos que ficam ictéricos
nas primeiras 24 horas de vida apresentam maior risco
de desenvolver níveis altos de bilirrubinas.
Na maior parte das vezes estes quadros são conseqüentes
à situações de Incompatibilidade
Sangüínea Materno Fetal, seja pelo fator
Rh ou pelos grupos A, B, O. Nestas situações,
quando a mãe é Rh negativo e se ela for
sensibilizada, poderá produzir anticorpos contra
o sangue Rh positivo do feto; esses anticorpos, atravessando
a barreira placentária, ocasionam anemia no feto
e, após o nascimento, icterícia no recém-nascido.
Esses bebês precisam ser imediatamente colocados
sob fototerapia, pois os níveis de bilirrubina
sobem muito rapidamente e atingem logo níveis
considerados lesivos para o sistema nervoso central.
Nestas ocasiões, está indicada a exsangüíneo-transfusão
para evitar o Kernicterus.
Nos casos de Incompatibilidade Sangüíneo
Materno-Fetal pelo sistema ABO, a elevação
dos níveis de bilirrubinas é mais lenta
e, na maioria das vezes, a fototerapia é suficiente
para controlar a elevação das taxas de
bilirrubinas. Quando a mãe é Rh negativo
e o recém-nascido Rh positivo - se a mãe
não foi sensibilizada durante a gestação
- ela deverá receber até 72 horas após
o parto a imunoglobulina anti-Rh para prevení-la
de ser sensibilizada, e assim proteger seu próprio
filho. No caso dos prematuros, como já vimos,
a causa da icterícia é a incapacidade
do fígado em conjugar a bilirrubina, ou seja,
em transformá-la num pigmento excretável
pelas fezes. Nestas situações, o pequeno
prematuro deverá ser precocemente submetido à
fototerapia, que na maioria das vezes é suficiente
para controlar a elevação dos níveis
de bilirrubina.
Distúrbios Respiratórios
O pulmão do recém-nascido é o
principal responsável pela sua vida nas primeiras
horas. É responsável pela captação
de oxigênio e liberação de gás
carbônico. Sem o oxigênio os órgãos
sofrerão hipóxia, principalmente o cérebro.
O funcionamento inadequado do pulmão ocasionará
alterações nos gases sangüíneos
conhecida como acidose. Várias situações
clínicas podem fazer com que o pulmão
do recém-nascido não funcione bem.
A mais freqüente delas é conhecida como
Taquipnéia Transitória do Recém-nascido.
É um quadro não muito grave, reversível
nas primeiras 48 a 72 horas de vida. Ocorre principalmente
em crianças que nascem de parto cesário
e o quadro clínico se manifesta com esforço
respiratório leve, traduzido por taquipnéia.
Essas crianças deverão ser mantidas em
incubadoras com oxigênio até a estabilização
do quadro pulmonar, o que ocorre geralmente dentro das
primeiras 48 a 72 horas de vida.
Mais grave é o quadro que chamamos de Doença
da Membrana Hialina, característica de prematuros
e conseqüente à imaturidade do pulmão.
Quanto maior o grau de prematuridade, maior a deficiência
de "surfactante", substância protéica
responsável pela diminuição da
tensão superficial nos alvéolos e que
responde pela expansibilidade dos pulmões. Muitas
vezes o pequeno prematuro portador de D.M.H deverá
ser transferido para uma Unidade de Tratamento Intensivo
para ser colocado em um respirador, que manterá
a expansabilidade pulmonar até a recuperação
do recém-nascido.
Outra situação clínica grave ocorre
em decorrência de Sofrimento Fetal Agudo, quando
o bebê aspira líquido amniótico
impregnado com mecônio e sofre a Síndrome
de Aspiração Maciça. É um
quadro grave em que a área pulmonar fica comprometida
pelo mecônio, diminuindo a troca gasosa e ocasionando
acidose e hipóxia. Na maior parte dos casos há
necessidade de transferir o recém-nascido para
a Unidade de Tratamento Intensivo e colocá-lo
no respirador. Finalmente, temos a Pneumonia Congênita
e a Pneumonia Intraútero. São situações
em que o recém-nascido apresenta um quadro pneumônico
adquirido intraútero. Na maioria das vezes, a
infecção é adquirida pela via transplacentária,
quando a mãe apresenta alguma infecção
no final da gravidez, principalmente a Infecção
do Trato Urinário. Outra via de infecção
é a "ascendente", quando há
ruptura da "bolsa d'água" por mais
de 24 horas.
São quadros que se manifestam principalmente
pelo processo infeccioso, com manifestações
generalizadas e não só pulmonares. Esses
bebês devem ser tratados com antibióticos
e precisam de toda assistência e cuidados intensivos
dedicados aos recém-nascidos com infecções
graves.
Infecção Neonatal
Os bebês recém-nascidos, em especial os
prematuros, estão mais susceptíveis a
adquirirem infecções particulares. Muitas
são as fontes de infecção para
o recém-nascido. Algumas delas são adquiridas
intraútero através da placenta e daí
a importância dos cuidados pré-natais.
Todas as gestantes devem fazer as consultas pré-natais
e todos os exames pedidos pelo obstetra, pois esta é
a melhor maneira de proteger o feto de infecções
congênitas. Muitas vezes a detecção
e o tratamento precoce de doenças infecciosas
adquiridas pela mãe vão impedir a contaminação
do feto.
Outra importante fonte de infecção intraútero,
esta mais na época do parto, é o tempo
prolongado de "bolsa rota". Assim, quando
a gestante perde líquido amniótico deve
comunicar imediatamente seu obstetra, pois devemos sempre
evitar situações em que se passem mais
de 24 horas de ruptura da "bolsa d'água".
Existem
casos especiais, quando o bebê é muito
prematuro, que esperamos um tempo maior; mas nestas
situações a gestante deverá estar
internada e sob rigoroso controle clínico e laboratorial.
Durante o parto, o recém-nascido pode se infectar
ao aspirar secreções do canal de parto
ou se for contaminado com bactéria ou fezes maternas.
No berçário ou em casa, a maior fonte
de contaminação para os bebês é
a lavagem inadequada das mãos. Mãos mal
lavadas são responsáveis por mais de 80%
das infecções adquiridas nos berçários
e nas residências.
Existem outras fontes como aparelhos, nebulizadores,
mamadeiras, etc. Para evitar estas infecções,
deve-se sempre estimular a amamentação
materna e sempre insistir na lavagem das mãos
de todas as pessoas que possam ter contato com o bebê.
As vacinas são também importante proteção
contra determinadas infecções.
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