| Na impossibilidade de amamentação
ou na necessidade de complementação (avaliado
pelo seu pediatra), existem os alimentos ditos artificiais.
É o leite de vaca, pasteurizado ou industrializado
na apresentação em pó e em latas.
O leite de vaca é o de escolha pela nossa sociedade,
"in natura" ou industrializado. Geralmente
o leite em pó é dado nos primeiros meses
na
impossibilidade de se amamentar. É de fácil
preparo, não sendo necessário adicionar
açúcar ou outro alimento. Tem que ser
preparado com a água morna, previamente fervida.
A proporção de leite em pó para
água será especificada
pelo seu pediatra.
A maioria dos bebês nasce com peso
"adequado à idade gestacional", especialmente
se a gestante faz um acompanhamento pré-natal
como recomendado pelos obstetras.
O pediatra colocará o bebê
em um berço aquecido ou incubadora, para um breve
período de cuidados e procedimento como :
- aplicação intramuscular de 0,1
ml de solução contendo vitamina K1
, importante na prevenção de hemorragias
no recém-nascido.
- instilação, nos olhos do bebê,
de colírio contendo solução
de nitrato prata a 1% ou eritromicina, com o objetivo
de previnir infecções oculares causadas
por germes eventualmente infectando o canal do parto.
- limpeza das secreções ( sangue
materno, vernix, líquido amniótico)
em pele
e couro cabeludo com que o recém-nascido
vem da sala do parto.
- observação das primeiras evacuações
e micções, aspecto geral e atividades.
Cuidados específicos para determinados
recém-nascidos como:
a) lavagem gástrica (introdução
ddelicada de pequena sonda, pela boca, até o
estômago para limpeza e remoção
de secreções irritantes como sangue materno
deglutido, líquido amniótico meconial).
b) uso de oxigênio para os bebês
que demoram mais a manter uma respiração
normal.
c) controle precoce dos níveis
sanguíneos de glicose nos recém-nascidos
"pequenos" ou "grandes" para a idade
gestacional.Em seguida, o bebê será vestido
e conduzido pela enfermagem para junto da mãe,
para o Alojamento Conjunto, em apartamento ou enfermaria.
Conceito
Alojamento Conjunto é a permanência
do recém-nascido junto a seus pais nos dias que
se seguem ao nascimento, durante o período de
hospitalização.
Consideramos o Alojamento Conjunto um
direito de pais e bebês e um dever do hospital
e equipe profissional (médicos, enfermeiras,
etc.) para com eles.
Converse pois com seu obstetra, durante
o pré-natal, a respeito do Alojamento Conjunto,
especialmente as questões relacionadas ao preparo
da mama para amamentação. Se possível
faça também uma consulta pré-natal
com o pediatra, o que permitirá conhecimento
prévio dos aspectos ligados ao recém-nascido.
Isso lhe dará maior segurança
e confiança no momento do parto e na convivência
inicial com o bebê.
São pilares fundamentais
do Alojamento Conjunto:
1º) o conhecimento do comportamento
do bebê;
2º) a amamentação ao seio;
3º) a contínua interação pais-filho,
importante para o estabelecimento de um vínculo
afetivo estável e duradouro.
Comportamento do recém-nascido
Nos
primeiros 30 a 90 minutos após o nascimento,
o bebê estará acordado e geralmente com
movimentação ativa de braços e
pernas, olhos abertos, com sucção eficiente,
às vezes chorando. Em seguida adormece, repousando
por tempo variável de meia a duas horas, às
vezes por mais tempo.
Portanto, ao iniciar o Alojamento Conjunto,
o bebê poderá apresentar padrões
variados de comportamento (segundo Wolff):
- chorando, movimentando-se vigorosamente, com olhos
abertos ou fortemente fechados;
- no chamado "estado de vigília ativa":
com movimentação freqüente de braços,
pernas, tronco e cabeça;
- em "vigília tranqüila": alerta,
porém pouco ativo, olhos abertos, podendo focalizar
objetos visuais próximos como o rosto dos pais,
orientar-se para um ruído ou para uma voz;
- em "sonolência"com os olhos semifechados,
às vezes desviados para cima, franzindo a testa,
com movimentos ocasionais dos membros e boca;
- em "sono ativo", quando ainda apresenta
movimentos corporais, geralmente suaves e ocasionais,
com freqüentes gestos faciais (sorrisos, franzindo
a testa, movimento da boca, sucção),
pálpebras fechadas, movimentos oculares rápidos;
- em "sono tranqüilo": repouso total.
A conduta dos pais deverá então variar
conforme esteja o bebê, colocando-o para mamar
ao seio, fazendo-lhe afagos, carregando-o no colo ou
deixando que durma ao lado da mãe ou em um bercinho.
A relação mãe-filho
deve ser então privilegiada. Para isso é
importante conciliar os períodos de sono do recém-nascido
com o repouso materno, para que a mãe esteja
descansada e disposta para cuidar do bebê atendendo
às solicitações dele.
- procure manter o menor número possível
de pessoas dentro do apartamento. Um ambiente tranqüilo
favorecerá o início de uma boa relação
pais-filho e um bom aproveitamento de todas as orientações
e informações recebidas da equipe de
Alojamento Conjunto;
- não é necesário que os visitantes
carreguem o bebê no colo. Se isso acontecer,
solicite que lavem as mãos com água
e sabão, aplicando em seguida o álcool
para melhor desinfecção. Este procedimento
evitará a propagação de possíveis
infecções ao seu bebê;
- o excesso de odores no apartamento (como por exemplo
flores, perfumes, cigarro e outros) deverá
ser evitado;
- procure manter o apartamento arejado e organizado,
evitando o frio ou calor excessivos. O ar condicionado
pode ser usado com bom senso, sem prejuízo
para o bebê;
- o hospital habitualmente fornece todo o material
e vestuário para os cuidados com o seu bebê
durante o Alojamento Conjunto. Leve apenas uma muda
de roupa para o dia da alta.
Alimentação
O leite materno é o melhor alimento
para o bebê, atendendo às suas necessidades
nutritivas, digestivas e imunológicas (podendo
e devendo ser o alimento exclusivo do bebê nos
primeiros 4 a 6 meses, para a maioria das crianças).
É interessante saber que o leite
da própria mãe é o alimento mais
adequado para o recém-nascido, até quando
se considera a época da gestação
em que ocorre o parto. Portanto, um bebê prematuro
se beneficiará mais recebendo o leite da sua
mãe do que se alimentando com leite humano doado
por outra mulher ou de um banco de leite.
O primeiro leite produzido nas mamas a
partir do sétimo mês de gestação
chama-se colostro. O colostro é espesso, pegajoso
e de cor clara a amarelada, tendo elevado teor de proteínas
e vitamina A. Tem ação laxativa, facilitando
a evacuação do mecônio e é
rico em anticorpos (imunoglobulinas) que protegem o
bebê contra infecções. Alguns dias
após o parto, as mamas produzirão o leite
propriamente dito, que apresenta inúmeros benefícios
em relação ao leite de vaca ou aos leites
infantis industrializados. Os nutrientes (água,
proteínas, gorduras, lactose, vitaminas, minerais,
oligoelementos) presentes no leite materno são
balanceados para atender as necessidades do bebê,
que deverá mamar de acordo com seu próprio
ritmo de fome (geralmente 8 a 10 vezes por dia). Um
bebê que mama sempre que deseja não necessitará
receber água ou chás.
A taxa de proteínas do leite humano
é perfeita para o crescimento e desenvolvimento
cerebral do bebê, não sendo afetada pela
alimentação da mãe.
As gorduras do leite materno são
a principal fonte de calorias para o bebê, contendo
"ácidos graxos de cadeia longa", necessários
para o crescimento e amadurecimento cerebral. A taxa
de gordura no leite materno varia não apenas
de mulher para mulher, mas na mesma mama, de um dia
para o outro, como também nas diversas mamadas
de um mesmo dia, e até durante uma mesma mamada
- é menor no início da sucção,
aumentando à medida que se esvazia a mama. O
leite materno contém substâncias (enzimas)
que pré-digerem a gordura, facilitando o aproveitamento
no intestino do bebê.
Os sais minerais do leite materno atendem
muito bem as necessidades do bebê. O ferro presente
no leite humano é muito melhor absorvido pelo
intestino dos bebês do que aquele contido no leite
de vaca e leites industrializados. Tanto assim que o
bebê alimentado exclusivamente no seio provavelmente
não terá anemia ferropriva nos primeiros
6 a 8 meses de vida. Todas as vitaminas estão
presentes no leite materno, em níveis adequados
à necessidade do recém-nascido. As exceções
são a vitamina C, cuja taxa dependerá
da alimentação materna (importante que
a mãe ingira alimentos ricos em vitamina C) e
da vitamina D, que será complementada através
da exposição do bebê ao sol.
Além das imunoglobinas (anticorpos) já
mencionados, o colostro e o leite materno contém
várias substâncias (enzimas) anti-infecciosas
e elementos celulares de defesa que reforçam
consideravelmente a proteção contra as
infecções. É inegável o
benefício que o leite materno traz para o bebê,
que assim se alimenta melhor que os recém-nascidos
amamentados de outras formas.
O tubo digestivo do bebê não está
maduro ao nascimento. Portanto a exposição
às substâncias estranhas (leite de vaca,
leites industrializados, soja) pode aumentar a incidência
de doenças alérgicas como o eczema, a
bronquite, otites e diarréias, com prejuízo
evidente para o crescimento e desenvolvimento da criança.
O contato com o leite materno possibilita ainda maior
envolvimento afetivo entre mãe e filho, reforçando
o vínculo familiar e com reflexos definitivos
no desenvolvimento emocional e formação
da personalidade.
Técnica de amamentação
ao seio
No decorrer da gestação aumenta no sangue
da gestante o nível de substâncias (hormônios)
importantes para a lactação:
- hormônios estrogênicos e progesterona,
produzidos pela placenta;
- prolactina, produzida pela hipófise (glândula
situada no cérebro).
Esses hormônios atuam nas mamas, preparando-as
anatomicamente para a lactação.
Os estrógenos e o progesterona agem junto à
prolactina, proporcionando o desenvolvimento glandular,
porém inibem a produção de leite.
Após o parto, com a expulsão da placenta,
caem os níveis de estrógeno e progesterona
maternos, e a prolactina estimula então a secreção
do leite. A sucção da mama pelo bebê
estimula então a secreção do leite.
A sucção da mama pelo bebê estimula
a hipófise materna a produzir níveis altos
de prolactina e a produzir também outro importante
hormônio chamado ocitocina, liberado como uma
resposta reflexa à sucção da aréola
materna; é responsável pela contração
das estruturas glandulares mamárias, provocando
a descida do leite para os seios lactíferos onde
estará disponível para ser extraído
através da sucção.
A descida do leite ou apojadura manifesta-se pelo endurecimento
das mamas e sensação de leve desconforto.
Às vezes o leite goteja pelo mamilo e até
um pequeno jato pode ser observado (expressão
mamária pela ocitocina).
Fatores emocionais influem na citada resposta reflexa:
- o choro do bebê estimula a produção
de ocitocina;
- ansiedade, sustos, dores fortes, constrangimentos,
a nicotina e o álcool inibem a produção
hormonal, com prejuízo para a secreção
e liberação do leite.
Ritmo da mamada
O bebê deve mamar segundo sua própria
demanda. A primeira mamada poderá ocorrer ainda
na sala de parto, ou já no Alojamento Conjunto.
A maioria dos bebês mama a intervalos de 2 a
4 horas no primeiro mês (geralmente 8 a 12 vezes
por dia), inclusive durante a madrugada. A mamada noturna
é desejável e importante, pois à
noite ocorre maior produção de prolactina
em resposta à sucção. A mãe
que amamenta à noite amanhecerá com mais
leite. Alguns bebês poderão querer mamar
a intervalos mais curtos (1 hora) durante determinados
períodos do dia, enquanto noutros farão
intervalos maiores (superiores a 4 horas). É
importante que a mamada seja eficiente, pois o leite
produzido no início da sucção tem
menor teor de gordura e, portanto, menor taxa calórica.
Se o recém-nascido mama apenas por dois a três
minutos e adormece, provavelmente sentirá fome
em seguida, acordando logo para outra mamada. Caso o
processo se repita continuamente, haverá prejuízo
no ganho ponderal do bebê e cansaço materno.
Tempo de mamada
O bebê deve sugar a mama até se fartar
quando, satisfeito, abandona espontaneamente o seio
e dorme. Quando a sucção é eficiente,
geralmente 10 a 15 minutos serão suficientes.
Se houver muito leite, podem se alternar as mamas nas
mamadas sucessivas, utilizando-se uma delas por vez.
Se houver menos leite, o bebê deverá sugar
ambas as mamas em cada mamada com o cuidado de esgotar
primeiro uma, antes de passar para a outra. Na próxima
mamada, a mãe deve começar pelo seio dado
por último.
Em alguns períodos do dia, o bebê poderá
estar mais faminto ou mesmo mais inquieto, exigindo
mamar por tempo maior. As mamadas muito longas podem
apresentar inconvenientes, com maceração
da pele da base dos mamilos e conseqüente formação
de fissuras, cansaço da criança e da mãe,
maior ingestão de ar. Habitualmente recomenda-se
não ultrapassar 30 minutos de mamada. Para que
a sucção seja eficiente deve-se observar
alguns aspectos:
- Primeiro: a mãe deve estar relaxada e confortável;o
bebê calmo e alerta - é a situação
para a pega da mama. Se estiver chorando, muito esfomeado,
provavelmente terá maior dificuldade para uma
pega adequada. Procure evitar atraso no início
da mamada, o que será muito facilitado pelo
Alojamento Conjunto.O corpo do bebê de frente
para a mãe e próximo a ela. É
o bebê que vai ao seio e não o contrário;
Assim que for possível, amamente o bebê
com o tronco mais verticalizado. Se o bebê estiver
horizontalizado irá ingerir mais ar.
- Segundo: não introduzir na boca apenas o
mamilo, mas também a aréola;
- Terceiro: evite que as narinas do bebê fiquem
obstruídas pela mama, para facilitar a respiração
durante a mamada.
No Alojamento Conjunto ou mesmo durante o pré-natal,
a mãe deverá aprender como esvaziar as
mamas ao final das mamadas, visando aliviar eventual
desconforto causado pelo excesso de leite, comum nas
primeiras semanas de amamentação.
Para a maioria das mães e bebês não
haverá dificuldades significativas no início
da amamentação. Amamentar é um
ato natural e instintivo. Sem dúvida a orientação
pré-natal e o Alojamento Conjunto facilitarão
em muito o aleitamento materno.
Banho e limpeza do bebê
Já no primeiro dia de Alojamento Conjunto os
pais, orientados pela equipe de enfermagem, deverão
participar ativamente dos cuidados de higiene do recém-nascido.
Isso trará tranqüilidade para a execução
destas tarefas em casa. A insegurança inicial
logo será substituída por uma sensação
muito prazerosa.
- o banho pode ocorrer durante a manhã e, se
necesário, repetido ao final da tarde ou início
da noite (nos dias de muito calor ou como recurso
para tranqüilizar o bebê, que dormirá
melhor à noite).
- a temperatura da água deve ser definida com
bom senso em função da temperatura ambiente.
Quente o suficiente para que o banho seja confortável
ao bebê. Não há necessidade de
termômetros. Use a mão ou cotovelo para
verificar.
- todo material (sabonete, fraldas, toalhas e roupinhas
limpas) deverá estar previamente preparado.
- a maioria dos bebês manifesta satisfação
se lhes tiram as roupas. Porém é preciso
dar-lhes apoio, segurando-os por um dos bracinhos,
para que se mantenham tranqüilos. Se estão
muito famintos, podem mamar antes de ser banhados,
o que tornará o banho mais prazeroso.
- passe o seu braço esquerdo pelas costas do
bebê, segurando firmemente o bracinho esquerdo
dele. Assim a cabeça do bebê estará
apoiada em seu braço. Sua mão direita
estará livre para ajudar a segurar o bebê,
colocando-o na água delicadamente. Assim o
corpinho do bebê ficará apoiado com segurança
e a mão direita da mãe (ou pai ou enfermaria)
estará livre para banhá-lo.
- lave primeiro o rostinho e a cabeça do bebê,
com a água ainda mais limpa. Em seguida ensaboe
delicadamente o corpinho.
- retire o bebê da água, envolvendo-o
em toalha macia. Enxugue delicadamente, especialmente
as dobrinhas da pele. Não é necessário
o uso de talcos.
- seque bem o coto umbilical, limpe a parte externa
do nariz e ouvidos com cotonetes, evitando introduzí-los
profundamente.
- vista o bebê levando em consideração
a temperatura ambiente. As roupinhas devem ser confortáveis,
permitindo a movimentação de bracinhos
e perninhas.
O umbigo
O manuseio do coto umbilical é freqüentemente
causa de ensiedade e temos para os pais. O Alojamento
Conjunto lhes trará confiança neste procedimento,
que na verdade é simples.
Com
as mãos lavadas, os pais podem manusear o coto
umbilical livremente. O bebê não sente
dor ou desconforto.
Limpe a base do umbigo com algodão ou cotonetes
embebidos em álcool, para remover eventuais secreções
ou resíduos de sangue. Em seguida, aplique algumas
gotas de álcool na base e no coto, que poderá
ser envolvido com um pedaço de gaze. Não
use faixas ou curativos fechados.
O coto umbilical cairá por si mesmo, geralmente
entre o 5º e o 12º dia. Um retardo maior na
queda não deverá ser motivo de preocupação.
Evacuações e micções
A maioria dos bebês evacua já nas primeiras
horas de vida; 95% deles apresenta a primeira evacuação
nas primeiras 48 horas, precedida pela eliminação
do chamado tampão meconial, que é uma
secreção branco-acinzentada.
As primeiras fezes do bebê constituem o chamado
mecônio, que é conteúdo do intestino
formado durante a gestação por secreções
digestivas do fígado, pâncreas e intestino
fetal, líquido amniótico deglutido e células
intestinais. É verde escuro pegajoso, consistente
e com pouco cheiro. Após 2 a 3 dias do nascimento
surgem as chamadas "fezes de transição".
Elas são esverdeadas ou amareladas, líquidas
e eliminadas de forma explosiva, contendo algum muco
(catarro) em número de até 8 a 12 dejeções
por dia, geralmente durante ou após a alimentação,
dando a falsa impressão de diarréia.
A seguir as fezes continuam amolecidas, número
de dejeções variável, esverdeadas
ou amareladas (especialmente se o recém-nascido
mama só leite materno). A introdução
precoce de outros leites pode tornar as fezes mais consistentes,
com variação na cor, porém não
traduzindo um benefício para o bebê. Geralmente
a primeira micção pós-nascimento
ocorre já na sala de parto. 8 a 10% dos recém-nascidos
podem ter a micção retardada até
2º dia de vida, o que deverá ser acompanhado
pelo pediatra.
A urina é em geral transparente e de aspecto
citrino. É freqüente a eliminação
de sais (uratos) na urina, manchando as fraldas de alaranjado
ou avermelhado, fato normal e que não deverá
ser confundido com sangue.
A troca de fraldas
No Alojamento Conjunto os pais acompanharão
a higiene da área coberta pelas fraldas, ou mesmo
participarão do trabalho.
O bebê evacua geralmente durante ou logo após
as mamadas e, nestas ocasiões, estará
também molhado pela urina.
A higiene poderá ser feita com algodão
e água morna, delicadamente e abrangendo toda
a área de fraldas, para remoção
de fezes, urina e suor acumulados.
Uma
higiene delicada, porém rigorosa, habitualmente
evitará assaduras, dispensando o uso de cremes,
que deverão ser prescritos pelo pediatra somente
se necessários.
Na limpeza da genitália masculina, tracione
delicadamente o prepúcio (pele que cobre a glande),
limpando a extremidade do pênis com algodão
umidecido. É comum que o bebê nasça
com o prepúcio aderido à glande, o que
não significa a presença de fimose. Não
há necessidade de tracionar muito a pele, exteriorizando
apenas o que for possível, sem sofrimento para
o bebê. Com o correr dos meses, sob orientação
pediátrica, o descolamento ocorrerá facilmente.
Nos
bebês do sexo feminino, faça a higiene
sempre no sentido da genitália para o ânus,
o que evitará a contaminação da
uretra e da vagina por germes presentes nas fezes. As
secreções acumuladas entre os grandes
e os pequenos lábios, além de eventuais
secreções ou sangramentos vaginais (normais
nos recém-nascidos), também deverão
ser limpas da mesma forma, com algodão e água,
durante a troca de fraldas.
Como o bebê evacua e urina muitas vezes nos primeiros
dias de vida, o uso das fraldas descartáveis
é muito prático.
Soluços e espirros
Os espirros são comuns já no 1º
dia de vida e não significam que o bebê
esteja resfriado. Também é comum que a
respiração seja acompanhada por um leve
ruído nasal, que não incomoda o recém-nascido,
dispensando tratamento. A higiene nasal uma ou duas
vezes ao dia impedirá que o acúmulo de
secreções dificulte a respiração.
Os soluços também são freqüentes
e não incomodam o bebê, dispensando tratamentos.
Muitas vezes a troca de fraldas molhadas, o agasalhamento
do bebê ou a amamentação são
suficientes para interromper o soluçar. De qualquer
forma, isso ocorrerá também espontaneamente.
Cuidados com o ex-caçula
Os pais que já tiveram um primeiro filho, ou
outros filhos, seguramente se beneficiarão da
experiência anterior no trato com o recém-nascido.
Porém, é preciso cuidar também
do ex-caçula, que verá a chegada do bebê
como algo muitas vezes ameaçador, podendo passar
pelo sentimento de não receber mais o afeto que
lhe era dado antes. É importante, então,
levar o primogênito (e os demais, caso os tenha)
ao hospital, para que esteja junto aos pais e ao bebê,
participando deste importante momento familiar, sentindo-se
valorizado e querido, vivenciando também o Alojamento
Conjunto.
Não precisa permanecer por muito tempo no hospital,
o que poderia cansar os pais e a própria criança.
Porém, levá-la diariamente ao hospital
será medida tranqüilizadora.
Caso os pais queiram presentear o ex-caçula
(demonstração comum de afeto em nossa
cultura), que o presente seja dado pelos próprios
pais, evitando-se a história de que foi trazido
pelo bebê. A continuidade da atenção
dos pais é o que mais preocupa ao ex-caçula.
As suas atividades deverão ser mantidas, conforme
a rotina diária anterior ao nascimento do novo
bebê (escola, horários de refeições,
natação, etc).
A alta hospitalar
Os bebês habitualmente recebem alta hospitalar
acompanhando a alta materna, geralmente 24 horas após
o parto vaginal ou 48 a 72 horas após o parto
cesáreo. Alguns recém-nascidos, no entanto,
não estarão em condições
de deixar o hospital no momento da alta materna. Como
exemplo, citamos os prematuros, que permanecerão
no hospital por maior ou menor tempo, dependendo especialmente
da idade gestacional com que nasceram, como também
do peso de nascimento e condições clínicas.
Os bebês nascidos após gestações
consideradas de alto risco (mães diabéticas,
hipertensas, acometidas por infecções
na gestação, etc) costumam também
necessitar de maior permanência hospitalar.
Sempre que possível, deve-se prolongar o período
de Alojamento Conjunto, retardando-se a alta materna
para adequá-la à do recém-nascido.
Outra situação que freqüentemente
atrasa a alta do bebê é a Icterícia
Neonatal. A pele, mucosas e esclera ocular do recém-nascido
ficam impregnadas de amarelo, pelo acúmulo do
pigmento bilirrubina. A bilirrubina é formada
no sangue, derivada do metabolismo da hemoglobina, sendo
processada e eliminada pelo fígado, junto à
bile. O recém-nascido tem o fígado ainda
imaturo, com dificuldade em metabolizar todo o pigmento
amarelo (bilirrubina). Em conseqüência, pode
ocorrer elevação dos níveis de
bilirrubina no sangue e passagem do pigmento para a
pele, mucosas e esclera, que ficam amareladas ou "ictéricas".
Um grau leve de icterícia não trará
transtornos para o bebê. Porém, se a icterícia
se acentuar muito, poderá exigir tratamento,
habitualmente a Fototerapia.
A luz do aparelho de fototerapia remove a bilirrubina
presente na pele, "ajudando" o fígado
a baixar os níveis sangüíneos da
substância. Há algumas situações
clínicas que tornam o recém-nascido especialmente
predisposto à icterícia, como a prematuridade,
o baixo peso ao nascer e alguns casos de incompatibilidade
sangüínea entre o bebê e a mãe.
É importante que os pais saibam o próprio
grupo sangüíneo e o fator Rh, o que ajudará
o neonatologista a raciocinar diante de um bebê
ictérico.
No momento da alta hospitalar do bebê, os pais
receberão alguns documentos importantes, como:
Declaração de Nascido Vivo, documento
necessário para registrar o bebê em cartório;
Impressos contendo os dados do bebê que serão
importantes para o acompanhamento pediátrico
posterior (relatório de alta), além de
orientações sobre cuidados com o recém-nascido;
Impresso com solicitação do "Teste
do Pezinho".
O Teste do Pezinho
Diversas doenças congênitas (genéticas,
metabólicas ou infecciosas) podem acometer os
bebês, com manifestações clínicas
de aparecimento após as primeiras semanas de
vida ou até mais tardiamente. O "Teste do
pezinho" é uma técnica de "screenning"
ou rastreamento neonatal que visa, de modo simples e
prático, o diagnóstico precoce de muitas
destas doenças. Permite a intervenção
médica imediata que, em muitos casos, possibilitará
o desenvolvimento normal da criança.
O teste é realizado através da análise
de algumas gotas de sangue coletadas habitualmente pós-punção
do calcanhar do bebê.
Inicialmente o teste visava o diagnóstico precoce
das doenças Fenilcetonúria e Hipotireoidismo
Congênito, responsáveis especialmente por
severo atraso do desenvolvimento neuro-psico-motor.
Importantes pesquisas nas áreas de Patologia
Clínica e Neonatologia têm ampliado a abrangência
do "Teste do Pezinho", permitindo a detecção
precoce de várias outras patologias com evidente
benefício para a saúde infantil.
O chamado "Teste do Pezinho Completo ou Ampliado"
detecta então as seguintes doenças:
Hipotireoidismo Congênito
Fenilcetonúria
Erros Inatos do Metabolismo dos Aminoácidos
Hiperplasia Congênita da Glândula Supra-renal
Fibrose Cística
Galactosemia
Anemia Falciforme
Deficiência de Biotinidase
Toxoplasmose Congênita
AIDS Congênita ou Perinatal
A coleta do sangue deve ser feita após 0 5º
dia de vida, para evitar resultados falso-negativos
e antes do 15º dia, para que não se atrase
um eventual diagnóstico.
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