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recém-nascido no alojamento conjunto
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Na impossibilidade de amamentação ou na necessidade de complementação (avaliado pelo seu pediatra), existem os alimentos ditos artificiais. É o leite de vaca, pasteurizado ou industrializado na apresentação em pó e em latas. O leite de vaca é o de escolha pela nossa sociedade, "in natura" ou industrializado. Geralmente o leite em pó é dado nos primeiros meses na
impossibilidade de se amamentar. É de fácil preparo, não sendo necessário adicionar açúcar ou outro alimento. Tem que ser preparado com a água morna, previamente fervida. A proporção de leite em pó para água será especificada
pelo seu pediatra.

A maioria dos bebês nasce com peso "adequado à idade gestacional", especialmente se a gestante faz um acompanhamento pré-natal como recomendado pelos obstetras.

O pediatra colocará o bebê em um berço aquecido ou incubadora, para um breve período de cuidados e procedimento como :

  • aplicação intramuscular de 0,1 ml de solução contendo vitamina K1 , importante na prevenção de hemorragias no recém-nascido.
  • instilação, nos olhos do bebê, de colírio contendo solução de nitrato prata a 1% ou eritromicina, com o objetivo de previnir infecções oculares causadas por germes eventualmente infectando o canal do parto.
  • limpeza das secreções ( sangue materno, vernix, líquido amniótico) em pele
    e couro cabeludo com que o recém-nascido vem da sala do parto.
  • observação das primeiras evacuações e micções, aspecto geral e atividades.

Cuidados específicos para determinados recém-nascidos como:

a) lavagem gástrica (introdução ddelicada de pequena sonda, pela boca, até o estômago para limpeza e remoção de secreções irritantes como sangue materno deglutido, líquido amniótico meconial).

b) uso de oxigênio para os bebês que demoram mais a manter uma respiração
normal.

c) controle precoce dos níveis sanguíneos de glicose nos recém-nascidos "pequenos" ou "grandes" para a idade gestacional.Em seguida, o bebê será vestido e conduzido pela enfermagem para junto da mãe, para o Alojamento Conjunto, em apartamento ou enfermaria.

Conceito

Alojamento Conjunto é a permanência do recém-nascido junto a seus pais nos dias que se seguem ao nascimento, durante o período de hospitalização.

Consideramos o Alojamento Conjunto um direito de pais e bebês e um dever do hospital e equipe profissional (médicos, enfermeiras, etc.) para com eles.

Converse pois com seu obstetra, durante o pré-natal, a respeito do Alojamento Conjunto, especialmente as questões relacionadas ao preparo da mama para amamentação. Se possível faça também uma consulta pré-natal com o pediatra, o que permitirá conhecimento prévio dos aspectos ligados ao recém-nascido.

Isso lhe dará maior segurança e confiança no momento do parto e na convivência inicial com o bebê.

São pilares fundamentais do Alojamento Conjunto:

1º) o conhecimento do comportamento do bebê;


2º) a amamentação ao seio;


3º) a contínua interação pais-filho, importante para o estabelecimento de um vínculo afetivo estável e duradouro.

Comportamento do recém-nascido

Nos primeiros 30 a 90 minutos após o nascimento, o bebê estará acordado e geralmente com movimentação ativa de braços e pernas, olhos abertos, com sucção eficiente, às vezes chorando. Em seguida adormece, repousando por tempo variável de meia a duas horas, às vezes por mais tempo.

Portanto, ao iniciar o Alojamento Conjunto, o bebê poderá apresentar padrões variados de comportamento (segundo Wolff):

  • chorando, movimentando-se vigorosamente, com olhos abertos ou fortemente fechados;
  • no chamado "estado de vigília ativa": com movimentação freqüente de braços, pernas, tronco e cabeça;
  • em "vigília tranqüila": alerta, porém pouco ativo, olhos abertos, podendo focalizar objetos visuais próximos como o rosto dos pais, orientar-se para um ruído ou para uma voz;
  • em "sonolência"com os olhos semifechados, às vezes desviados para cima, franzindo a testa, com movimentos ocasionais dos membros e boca;
  • em "sono ativo", quando ainda apresenta movimentos corporais, geralmente suaves e ocasionais, com freqüentes gestos faciais (sorrisos, franzindo a testa, movimento da boca, sucção), pálpebras fechadas, movimentos oculares rápidos;
  • em "sono tranqüilo": repouso total.


A conduta dos pais deverá então variar conforme esteja o bebê, colocando-o para mamar ao seio, fazendo-lhe afagos, carregando-o no colo ou deixando que durma ao lado da mãe ou em um bercinho.

A relação mãe-filho deve ser então privilegiada. Para isso é importante conciliar os períodos de sono do recém-nascido com o repouso materno, para que a mãe esteja descansada e disposta para cuidar do bebê atendendo às solicitações dele.

  • procure manter o menor número possível de pessoas dentro do apartamento. Um ambiente tranqüilo favorecerá o início de uma boa relação pais-filho e um bom aproveitamento de todas as orientações e informações recebidas da equipe de Alojamento Conjunto;
  • não é necesário que os visitantes carreguem o bebê no colo. Se isso acontecer, solicite que lavem as mãos com água e sabão, aplicando em seguida o álcool para melhor desinfecção. Este procedimento evitará a propagação de possíveis infecções ao seu bebê;
  • o excesso de odores no apartamento (como por exemplo flores, perfumes, cigarro e outros) deverá ser evitado;
  • procure manter o apartamento arejado e organizado, evitando o frio ou calor excessivos. O ar condicionado pode ser usado com bom senso, sem prejuízo para o bebê;
  • o hospital habitualmente fornece todo o material e vestuário para os cuidados com o seu bebê durante o Alojamento Conjunto. Leve apenas uma muda de roupa para o dia da alta.


Alimentação

O leite materno é o melhor alimento para o bebê, atendendo às suas necessidades nutritivas, digestivas e imunológicas (podendo e devendo ser o alimento exclusivo do bebê nos primeiros 4 a 6 meses, para a maioria das crianças).

É interessante saber que o leite da própria mãe é o alimento mais adequado para o recém-nascido, até quando se considera a época da gestação em que ocorre o parto. Portanto, um bebê prematuro se beneficiará mais recebendo o leite da sua mãe do que se alimentando com leite humano doado por outra mulher ou de um banco de leite.

O primeiro leite produzido nas mamas a partir do sétimo mês de gestação chama-se colostro. O colostro é espesso, pegajoso e de cor clara a amarelada, tendo elevado teor de proteínas e vitamina A. Tem ação laxativa, facilitando a evacuação do mecônio e é rico em anticorpos (imunoglobulinas) que protegem o bebê contra infecções. Alguns dias após o parto, as mamas produzirão o leite propriamente dito, que apresenta inúmeros benefícios em relação ao leite de vaca ou aos leites infantis industrializados. Os nutrientes (água, proteínas, gorduras, lactose, vitaminas, minerais, oligoelementos) presentes no leite materno são balanceados para atender as necessidades do bebê, que deverá mamar de acordo com seu próprio ritmo de fome (geralmente 8 a 10 vezes por dia). Um bebê que mama sempre que deseja não necessitará receber água ou chás.

A taxa de proteínas do leite humano é perfeita para o crescimento e desenvolvimento cerebral do bebê, não sendo afetada pela alimentação da mãe.

As gorduras do leite materno são a principal fonte de calorias para o bebê, contendo "ácidos graxos de cadeia longa", necessários para o crescimento e amadurecimento cerebral. A taxa de gordura no leite materno varia não apenas de mulher para mulher, mas na mesma mama, de um dia para o outro, como também nas diversas mamadas de um mesmo dia, e até durante uma mesma mamada - é menor no início da sucção, aumentando à medida que se esvazia a mama. O leite materno contém substâncias (enzimas) que pré-digerem a gordura, facilitando o aproveitamento no intestino do bebê.

Os sais minerais do leite materno atendem muito bem as necessidades do bebê. O ferro presente no leite humano é muito melhor absorvido pelo intestino dos bebês do que aquele contido no leite de vaca e leites industrializados. Tanto assim que o bebê alimentado exclusivamente no seio provavelmente não terá anemia ferropriva nos primeiros 6 a 8 meses de vida. Todas as vitaminas estão presentes no leite materno, em níveis adequados à necessidade do recém-nascido. As exceções são a vitamina C, cuja taxa dependerá da alimentação materna (importante que a mãe ingira alimentos ricos em vitamina C) e da vitamina D, que será complementada através da exposição do bebê ao sol.

Além das imunoglobinas (anticorpos) já mencionados, o colostro e o leite materno contém várias substâncias (enzimas) anti-infecciosas e elementos celulares de defesa que reforçam consideravelmente a proteção contra as infecções. É inegável o benefício que o leite materno traz para o bebê, que assim se alimenta melhor que os recém-nascidos amamentados de outras formas.

O tubo digestivo do bebê não está maduro ao nascimento. Portanto a exposição às substâncias estranhas (leite de vaca, leites industrializados, soja) pode aumentar a incidência de doenças alérgicas como o eczema, a bronquite, otites e diarréias, com prejuízo evidente para o crescimento e desenvolvimento da criança.

O contato com o leite materno possibilita ainda maior envolvimento afetivo entre mãe e filho, reforçando o vínculo familiar e com reflexos definitivos no desenvolvimento emocional e formação da personalidade.

Técnica de amamentação ao seio

No decorrer da gestação aumenta no sangue da gestante o nível de substâncias (hormônios) importantes para a lactação:

  • hormônios estrogênicos e progesterona, produzidos pela placenta;
  • prolactina, produzida pela hipófise (glândula situada no cérebro).

Esses hormônios atuam nas mamas, preparando-as anatomicamente para a lactação.

Os estrógenos e o progesterona agem junto à prolactina, proporcionando o desenvolvimento glandular, porém inibem a produção de leite. Após o parto, com a expulsão da placenta, caem os níveis de estrógeno e progesterona maternos, e a prolactina estimula então a secreção do leite. A sucção da mama pelo bebê estimula então a secreção do leite. A sucção da mama pelo bebê estimula a hipófise materna a produzir níveis altos de prolactina e a produzir também outro importante hormônio chamado ocitocina, liberado como uma resposta reflexa à sucção da aréola materna; é responsável pela contração das estruturas glandulares mamárias, provocando a descida do leite para os seios lactíferos onde estará disponível para ser extraído através da sucção.

A descida do leite ou apojadura manifesta-se pelo endurecimento das mamas e sensação de leve desconforto. Às vezes o leite goteja pelo mamilo e até um pequeno jato pode ser observado (expressão mamária pela ocitocina).

Fatores emocionais influem na citada resposta reflexa:

  • o choro do bebê estimula a produção de ocitocina;
  • ansiedade, sustos, dores fortes, constrangimentos, a nicotina e o álcool inibem a produção hormonal, com prejuízo para a secreção e liberação do leite.

Ritmo da mamada

O bebê deve mamar segundo sua própria demanda. A primeira mamada poderá ocorrer ainda na sala de parto, ou já no Alojamento Conjunto.

A maioria dos bebês mama a intervalos de 2 a 4 horas no primeiro mês (geralmente 8 a 12 vezes por dia), inclusive durante a madrugada. A mamada noturna é desejável e importante, pois à noite ocorre maior produção de prolactina em resposta à sucção. A mãe que amamenta à noite amanhecerá com mais leite. Alguns bebês poderão querer mamar a intervalos mais curtos (1 hora) durante determinados períodos do dia, enquanto noutros farão intervalos maiores (superiores a 4 horas). É importante que a mamada seja eficiente, pois o leite produzido no início da sucção tem menor teor de gordura e, portanto, menor taxa calórica. Se o recém-nascido mama apenas por dois a três minutos e adormece, provavelmente sentirá fome em seguida, acordando logo para outra mamada. Caso o processo se repita continuamente, haverá prejuízo no ganho ponderal do bebê e cansaço materno.

Tempo de mamada

O bebê deve sugar a mama até se fartar quando, satisfeito, abandona espontaneamente o seio e dorme. Quando a sucção é eficiente, geralmente 10 a 15 minutos serão suficientes. Se houver muito leite, podem se alternar as mamas nas mamadas sucessivas, utilizando-se uma delas por vez. Se houver menos leite, o bebê deverá sugar ambas as mamas em cada mamada com o cuidado de esgotar primeiro uma, antes de passar para a outra. Na próxima mamada, a mãe deve começar pelo seio dado por último.

Em alguns períodos do dia, o bebê poderá estar mais faminto ou mesmo mais inquieto, exigindo mamar por tempo maior. As mamadas muito longas podem apresentar inconvenientes, com maceração da pele da base dos mamilos e conseqüente formação de fissuras, cansaço da criança e da mãe, maior ingestão de ar. Habitualmente recomenda-se não ultrapassar 30 minutos de mamada. Para que a sucção seja eficiente deve-se observar alguns aspectos:

  • Primeiro: a mãe deve estar relaxada e confortável;o bebê calmo e alerta - é a situação para a pega da mama. Se estiver chorando, muito esfomeado, provavelmente terá maior dificuldade para uma pega adequada. Procure evitar atraso no início da mamada, o que será muito facilitado pelo Alojamento Conjunto.O corpo do bebê de frente para a mãe e próximo a ela. É o bebê que vai ao seio e não o contrário; Assim que for possível, amamente o bebê com o tronco mais verticalizado. Se o bebê estiver horizontalizado irá ingerir mais ar.
  • Segundo: não introduzir na boca apenas o mamilo, mas também a aréola;
  • Terceiro: evite que as narinas do bebê fiquem obstruídas pela mama, para facilitar a respiração durante a mamada.

No Alojamento Conjunto ou mesmo durante o pré-natal, a mãe deverá aprender como esvaziar as mamas ao final das mamadas, visando aliviar eventual desconforto causado pelo excesso de leite, comum nas primeiras semanas de amamentação.

Para a maioria das mães e bebês não haverá dificuldades significativas no início da amamentação. Amamentar é um ato natural e instintivo. Sem dúvida a orientação pré-natal e o Alojamento Conjunto facilitarão em muito o aleitamento materno.

Banho e limpeza do bebê

Já no primeiro dia de Alojamento Conjunto os pais, orientados pela equipe de enfermagem, deverão participar ativamente dos cuidados de higiene do recém-nascido.

Isso trará tranqüilidade para a execução destas tarefas em casa. A insegurança inicial logo será substituída por uma sensação muito prazerosa.

  • o banho pode ocorrer durante a manhã e, se necesário, repetido ao final da tarde ou início da noite (nos dias de muito calor ou como recurso para tranqüilizar o bebê, que dormirá melhor à noite).
  • a temperatura da água deve ser definida com bom senso em função da temperatura ambiente. Quente o suficiente para que o banho seja confortável ao bebê. Não há necessidade de termômetros. Use a mão ou cotovelo para verificar.
  • todo material (sabonete, fraldas, toalhas e roupinhas limpas) deverá estar previamente preparado.
  • a maioria dos bebês manifesta satisfação se lhes tiram as roupas. Porém é preciso dar-lhes apoio, segurando-os por um dos bracinhos, para que se mantenham tranqüilos. Se estão muito famintos, podem mamar antes de ser banhados, o que tornará o banho mais prazeroso.
  • passe o seu braço esquerdo pelas costas do bebê, segurando firmemente o bracinho esquerdo dele. Assim a cabeça do bebê estará apoiada em seu braço. Sua mão direita estará livre para ajudar a segurar o bebê, colocando-o na água delicadamente. Assim o corpinho do bebê ficará apoiado com segurança e a mão direita da mãe (ou pai ou enfermaria) estará livre para banhá-lo.
  • lave primeiro o rostinho e a cabeça do bebê, com a água ainda mais limpa. Em seguida ensaboe delicadamente o corpinho.
  • retire o bebê da água, envolvendo-o em toalha macia. Enxugue delicadamente, especialmente as dobrinhas da pele. Não é necessário o uso de talcos.
  • seque bem o coto umbilical, limpe a parte externa do nariz e ouvidos com cotonetes, evitando introduzí-los profundamente.
  • vista o bebê levando em consideração a temperatura ambiente. As roupinhas devem ser confortáveis, permitindo a movimentação de bracinhos e perninhas.

O umbigo

O manuseio do coto umbilical é freqüentemente causa de ensiedade e temos para os pais. O Alojamento Conjunto lhes trará confiança neste procedimento, que na verdade é simples.

Com as mãos lavadas, os pais podem manusear o coto umbilical livremente. O bebê não sente dor ou desconforto.

Limpe a base do umbigo com algodão ou cotonetes embebidos em álcool, para remover eventuais secreções ou resíduos de sangue. Em seguida, aplique algumas gotas de álcool na base e no coto, que poderá ser envolvido com um pedaço de gaze. Não use faixas ou curativos fechados.

O coto umbilical cairá por si mesmo, geralmente entre o 5º e o 12º dia. Um retardo maior na queda não deverá ser motivo de preocupação.

Evacuações e micções

A maioria dos bebês evacua já nas primeiras horas de vida; 95% deles apresenta a primeira evacuação nas primeiras 48 horas, precedida pela eliminação do chamado tampão meconial, que é uma secreção branco-acinzentada.

As primeiras fezes do bebê constituem o chamado mecônio, que é conteúdo do intestino formado durante a gestação por secreções digestivas do fígado, pâncreas e intestino fetal, líquido amniótico deglutido e células intestinais. É verde escuro pegajoso, consistente e com pouco cheiro. Após 2 a 3 dias do nascimento surgem as chamadas "fezes de transição".

Elas são esverdeadas ou amareladas, líquidas e eliminadas de forma explosiva, contendo algum muco (catarro) em número de até 8 a 12 dejeções por dia, geralmente durante ou após a alimentação, dando a falsa impressão de diarréia.

A seguir as fezes continuam amolecidas, número de dejeções variável, esverdeadas ou amareladas (especialmente se o recém-nascido mama só leite materno). A introdução precoce de outros leites pode tornar as fezes mais consistentes, com variação na cor, porém não traduzindo um benefício para o bebê. Geralmente a primeira micção pós-nascimento ocorre já na sala de parto. 8 a 10% dos recém-nascidos podem ter a micção retardada até 2º dia de vida, o que deverá ser acompanhado pelo pediatra.

A urina é em geral transparente e de aspecto citrino. É freqüente a eliminação de sais (uratos) na urina, manchando as fraldas de alaranjado ou avermelhado, fato normal e que não deverá ser confundido com sangue.

A troca de fraldas

No Alojamento Conjunto os pais acompanharão a higiene da área coberta pelas fraldas, ou mesmo participarão do trabalho.

O bebê evacua geralmente durante ou logo após as mamadas e, nestas ocasiões, estará também molhado pela urina.

A higiene poderá ser feita com algodão e água morna, delicadamente e abrangendo toda a área de fraldas, para remoção de fezes, urina e suor acumulados.

Uma higiene delicada, porém rigorosa, habitualmente evitará assaduras, dispensando o uso de cremes, que deverão ser prescritos pelo pediatra somente se necessários.

Na limpeza da genitália masculina, tracione delicadamente o prepúcio (pele que cobre a glande), limpando a extremidade do pênis com algodão umidecido. É comum que o bebê nasça com o prepúcio aderido à glande, o que não significa a presença de fimose. Não há necessidade de tracionar muito a pele, exteriorizando apenas o que for possível, sem sofrimento para o bebê. Com o correr dos meses, sob orientação pediátrica, o descolamento ocorrerá facilmente.

Nos bebês do sexo feminino, faça a higiene sempre no sentido da genitália para o ânus, o que evitará a contaminação da uretra e da vagina por germes presentes nas fezes. As secreções acumuladas entre os grandes e os pequenos lábios, além de eventuais secreções ou sangramentos vaginais (normais nos recém-nascidos), também deverão ser limpas da mesma forma, com algodão e água, durante a troca de fraldas.

Como o bebê evacua e urina muitas vezes nos primeiros dias de vida, o uso das fraldas descartáveis é muito prático.

Soluços e espirros

Os espirros são comuns já no 1º dia de vida e não significam que o bebê esteja resfriado. Também é comum que a respiração seja acompanhada por um leve ruído nasal, que não incomoda o recém-nascido, dispensando tratamento. A higiene nasal uma ou duas vezes ao dia impedirá que o acúmulo de secreções dificulte a respiração. Os soluços também são freqüentes e não incomodam o bebê, dispensando tratamentos. Muitas vezes a troca de fraldas molhadas, o agasalhamento do bebê ou a amamentação são suficientes para interromper o soluçar. De qualquer forma, isso ocorrerá também espontaneamente.

Cuidados com o ex-caçula

Os pais que já tiveram um primeiro filho, ou outros filhos, seguramente se beneficiarão da experiência anterior no trato com o recém-nascido.

Porém, é preciso cuidar também do ex-caçula, que verá a chegada do bebê como algo muitas vezes ameaçador, podendo passar pelo sentimento de não receber mais o afeto que lhe era dado antes. É importante, então, levar o primogênito (e os demais, caso os tenha) ao hospital, para que esteja junto aos pais e ao bebê, participando deste importante momento familiar, sentindo-se valorizado e querido, vivenciando também o Alojamento Conjunto.

Não precisa permanecer por muito tempo no hospital, o que poderia cansar os pais e a própria criança. Porém, levá-la diariamente ao hospital será medida tranqüilizadora.

Caso os pais queiram presentear o ex-caçula (demonstração comum de afeto em nossa cultura), que o presente seja dado pelos próprios pais, evitando-se a história de que foi trazido pelo bebê. A continuidade da atenção dos pais é o que mais preocupa ao ex-caçula.

As suas atividades deverão ser mantidas, conforme a rotina diária anterior ao nascimento do novo bebê (escola, horários de refeições, natação, etc).

A alta hospitalar

Os bebês habitualmente recebem alta hospitalar acompanhando a alta materna, geralmente 24 horas após o parto vaginal ou 48 a 72 horas após o parto cesáreo. Alguns recém-nascidos, no entanto, não estarão em condições de deixar o hospital no momento da alta materna. Como exemplo, citamos os prematuros, que permanecerão no hospital por maior ou menor tempo, dependendo especialmente da idade gestacional com que nasceram, como também do peso de nascimento e condições clínicas.

Os bebês nascidos após gestações consideradas de alto risco (mães diabéticas, hipertensas, acometidas por infecções na gestação, etc) costumam também necessitar de maior permanência hospitalar.

Sempre que possível, deve-se prolongar o período de Alojamento Conjunto, retardando-se a alta materna para adequá-la à do recém-nascido. Outra situação que freqüentemente atrasa a alta do bebê é a Icterícia Neonatal. A pele, mucosas e esclera ocular do recém-nascido ficam impregnadas de amarelo, pelo acúmulo do pigmento bilirrubina. A bilirrubina é formada no sangue, derivada do metabolismo da hemoglobina, sendo processada e eliminada pelo fígado, junto à bile. O recém-nascido tem o fígado ainda imaturo, com dificuldade em metabolizar todo o pigmento amarelo (bilirrubina). Em conseqüência, pode ocorrer elevação dos níveis de bilirrubina no sangue e passagem do pigmento para a pele, mucosas e esclera, que ficam amareladas ou "ictéricas".

Um grau leve de icterícia não trará transtornos para o bebê. Porém, se a icterícia se acentuar muito, poderá exigir tratamento, habitualmente a Fototerapia.

A luz do aparelho de fototerapia remove a bilirrubina presente na pele, "ajudando" o fígado a baixar os níveis sangüíneos da substância. Há algumas situações clínicas que tornam o recém-nascido especialmente predisposto à icterícia, como a prematuridade, o baixo peso ao nascer e alguns casos de incompatibilidade sangüínea entre o bebê e a mãe. É importante que os pais saibam o próprio grupo sangüíneo e o fator Rh, o que ajudará o neonatologista a raciocinar diante de um bebê ictérico.

No momento da alta hospitalar do bebê, os pais receberão alguns documentos importantes, como:

Declaração de Nascido Vivo, documento necessário para registrar o bebê em cartório;

Impressos contendo os dados do bebê que serão importantes para o acompanhamento pediátrico posterior (relatório de alta), além de orientações sobre cuidados com o recém-nascido;

Impresso com solicitação do "Teste do Pezinho".

O Teste do Pezinho

Diversas doenças congênitas (genéticas, metabólicas ou infecciosas) podem acometer os bebês, com manifestações clínicas de aparecimento após as primeiras semanas de vida ou até mais tardiamente. O "Teste do pezinho" é uma técnica de "screenning" ou rastreamento neonatal que visa, de modo simples e prático, o diagnóstico precoce de muitas destas doenças. Permite a intervenção médica imediata que, em muitos casos, possibilitará o desenvolvimento normal da criança.

O teste é realizado através da análise de algumas gotas de sangue coletadas habitualmente pós-punção do calcanhar do bebê.

Inicialmente o teste visava o diagnóstico precoce das doenças Fenilcetonúria e Hipotireoidismo Congênito, responsáveis especialmente por severo atraso do desenvolvimento neuro-psico-motor. Importantes pesquisas nas áreas de Patologia Clínica e Neonatologia têm ampliado a abrangência do "Teste do Pezinho", permitindo a detecção precoce de várias outras patologias com evidente benefício para a saúde infantil.

O chamado "Teste do Pezinho Completo ou Ampliado" detecta então as seguintes doenças:

Hipotireoidismo Congênito

Fenilcetonúria

Erros Inatos do Metabolismo dos Aminoácidos

Hiperplasia Congênita da Glândula Supra-renal

Fibrose Cística

Galactosemia

Anemia Falciforme

Deficiência de Biotinidase

Toxoplasmose Congênita

AIDS Congênita ou Perinatal

A coleta do sangue deve ser feita após 0 5º dia de vida, para evitar resultados falso-negativos e antes do 15º dia, para que não se atrase um eventual diagnóstico.

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