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JORNAL ESTADO DE MINAS - DOMINGO , 25 DE NOVEMBRO DE 2007
Mater Dei usa nova arma contra o câncer
Desenvolvida na Europa e aplicada há algum tempo em São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul, a radioterapia intra-operatória aumenta as chances de cura e dá mais conforto aos pacientes
LUCIANA MELO
Conhecimento médico aliado a inovações tecnológicas fazemobomcombate ao câncer. Uma nova técnica para tratamento de tumores demama, usada jáhá algumtempo em São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul, está agora à disposição dos mineiros, noHospital Mater Dei, de Belo Horizonte. É a radioterapia intraoperatória, aplicada durante a cirurgia de remoção do caroço, diretamente no local em que ele se desenvolveu, que aumenta as chances de cura da doença e garante melhor qualidade de vida àspacientes.
Desenvolvida na Europa, há oito anos, essa técnica representa uma grande evolução na cancerologia. Os coordenadores do serviço de radio-oncologiado Mater Dei, Ludmila Siqueira e Ernane Bronzatti, que se especializaramfora do Brasil e se aprimoraramem hospitais de Campinas, no interior de São Paulo, a consideram um avanço significativo e de grande importância para as pacientes. “A técnica permite concentrarmos uma quantidade maior de irradiação no local, uma grande dose em uma só vez. Se usássemos essa quantidade e radioterapia, fora da cirurgia, os tecidos sadios poderiam ser necrosados”, disse Ludmila.
O material usado durante a radioterapia intra-operatória, incluindo os tubos específicos para conduzir a irradiação, foram desenvolvidos pelo físico André Irmer. São instrumentais criados especialmente para atender a essa nova técnica, que alia cirurgia e radioterapia em um só momento. São novidades que contribuem para oferecer melhores tratamentos e bem estar aos pacientes.
“No passado, as pacientes recebiam o máximo de tratamento que toleravam para curar o câncer. Hoje, a medicina avança para fornecer a dose certa para cada
caso, o mínimo necessário, com procedimentos cada vez menos invasivos”, explica o médico Henrique Salvador, presidente da Comissão Científica da Sociedade Brasileira de Mastologia e diretor clínico do MaterDei.
CONFORTO Asessãoderadioterapiaqueopacienterecebeduranteacirurgiaduracercade20minutosenão
precisa ser repetida. O procedimento é feito, ao todo, em duashoras. “Como uso da placa de chumbo,a irradiação fica restrita ao local, o que garante que façamos a dose adequada com muita segurança”,informa Bronzatti. “Sem a radioterapia intra-operatória, o paciente retira o tumor e em alguns casos deve ser submetido até 33 sessões de radioterapia. Em casos iniciais do câncer de mama, a técnica que chegou em Minas pode servir para curar a doença, em um único procedimento, dispensando a quimioterapia.”
A radioterapia intra-operatória é indicada para tratamento do câncer de mama quando o tumor está em fase microscópica. Os tumores cancerígenos devem ter no máximo dois centímetros. Portanto o diagnóstico precoce é fundamental para aumentar as chances de cura da mulher e também para que a paciente seja beneficiada por esse procedimento moderno e eficaz.
Com a ajudada medicina nuclear e de equipamentos modernos, consegue-se localizar a área do câncer, por menor que ele seja. “O tumor é tirado com uma margem de segurança. Os tumores de até dois centímetros são palpáveis,mas aqueles que estão em fase micróscopia podem ser retirados com um dispositivo aclopado a mama e ao aparelho de radioterapia. Durante a cirurgia, o médico patologista identifica se o tumor foi totalmente retirado ou se ainda é preciso aumentar a área operada”, explicaHenrique Salvador.
ATENDIMENTO
Além de equipamentos de última geração, o tratamento do câncer requer muito conhecimento e habilidade dos profissionais, com a formação de uma equipe multidisciplinar que conta com mastologista, especialistas em radioterapia, oncologistas, fisioterapeutas, medicina nuclear, psicólogos. “Cerca de 10 casos sãotratados, por semana, no MaterDei, sendo que todos são discutidos entre a equipe para indicação do melhor tratamento”, comenta Henrique Salvador.
A técnica de radioterapia intra-operatóriavai ser incorporada no tratamento do câncer de próstata e de outros tumores que tenham indicação para esse tipo de procedimento. Com equipamentos de última geração, ainda inéditos em Minas, o serviço de radioterapia do Mater Dei foi inaugurado no mês passado. Há elementos na decoração – como imagens de peixes no teto das salas de radioterapia, por exemplo – que ajudam a tornar o ambiente mais agradável e a deixar as pessoas mais tranqüilas, durante o atendimento.
A tecnologia usada vai além do convencional, pois os aparelhos são programados para distribuir a irradiação, em múltiplos feixes, e assim concentrar doses maiores em locais que vão lesar apenas as células lesadas. “A irradiação é modulada, com ajuda dos equipamentos, de uma maneira que poupamos, ao máximo os tecidos sadios e aumentamos a dose nos locais que vão atingir, com segurança, a área do tumor”, diz Ludmila Siqueira.
CUIDADOS
A paciente Valquíria Rocha, de 64 anos, já começou a série de16 sessões de radioterapia que precisa fazer para tratamento de tumores no fígado. Os equipamentos conseguem emitir irradiação para atingir tumores de até meio milímetro. Na sala da radioterapia, Valquíria deita em um colchão moldado em seu corpo, com ar comprimido, para que ela possa ficar na mesma posição durante a sessão de radioterapia.
Com ajuda de alguns dispositivos acoplados em seu corpo, sua imagem é monitorada no computador com recursos de até 6 dimensões e se ela mexer, a irradiação é interrompida para que tecidos sadios não sejam lesados. Tantos recursos oferecem maior segurança para os pacientes. “Estou confiante no meu tratamento. Fico satisfeita por ter acesso a equipamentos tão modernos que podem ajudar a minha saúde de uma maneira confortável”, comenta Valquíria.
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