|
|
 |
Liderança e processos de mudança (2ª parte)
Na “Palavra do Presidente” da edição anterior deste Jornal, iniciamos a apresentação de nossas reflexões sobre o tema “liderança e mudanças”, desenvolvido em uma de nossas reuniões semanais, que contou com a presença da Diretoria, Gerências e centenas de funcionários do Hospital. Finalizamos neste número algumas das conclusões desenvolvidas na ocasião.
Mudanças são processos inerentes à vida de qualquer pessoa. Mas, a capacidade de mudar é uma característica essencial da liderança. O austríaco Peter Drucker (1909-2005), pai da Administração Moderna, dizia que, “quanto mais alto for o cargo que você ocupa na empresa, maiores serão as exigências de mudança”. Não importa o tamanho da mudança. O impacto tende a ser positivo se a finalidade é a melhoria em todos os sentidos. Desta forma, a mudança no comportamento de um líder através do envolvimento proativo, participativo, motivador – dentre outros aspectos – pode gerar nos demais colaboradores maior aceitação para as melhorias no trabalho.
Com o exemplo de dedicação e entusiasmo pelas propostas de melhorias, é mais fácil fazer com que os colaboradores acreditem na necessidade e nos benefícios das mudanças. Se o líder souber assimilar as novas propostas, as orientações para suas equipes irão acontecer de forma natural e eficiente. É por isso que, em processos de mudança, a liderança entusiasmada, consciente e participativa é absolutamente necessária, pois o líder deve ser uma pessoa que consiga inspirar seus colaboradores a fazerem e a darem o melhor de si.
No entanto, liderar não se constitui em processo fácil, uma vez que ninguém que seja arrogante pode ser inspirador. A liderança pressupõe a capacidade de influenciar as pessoas para fazer aquilo que deve ser feito e de maneira a conseguir o resul- tado esperado. E, é neste contexto que as dificuldades para as mudanças muitas vezes parecem intransponíveis, pois conciliar as necessidades da empresa com o desejo de cada um de nós é tarefa bastante árdua. É por isso que alguns teóricos acreditam que, para que alguém se comprometa com as mudanças, precisa ser TOCADO. A estratégia
eficaz sustenta que é necessário tocar o coração das pessoas para movê-las em direção às mudanças, e é com base nesse aspecto que muitos fazem a distinção entre um líder e um gestor. Um ótimo gestor não é necessariamente um líder. Além disso, ressaltamos que qualquer um de nós pode dar ordens, instruções, determinar padrões. Mas poucos são capazes de chegar ao coração das outras pessoas.
| Liderar, além de outros requisitos, é deixar uma marca nas pessoas e nas organizações. |
Como as organizações são constituídas por pessoas, é devido a algumas destas que permanecemos numa organização ou dela nos desligamos. A marca da empresa pode ser um bom argumento para atrair novos profissionais, mas ninguém permanece numa instituição que não apresente valores sólidos, processos de desenvolvimento constante e líderes consistentes. Existem pesquisas comprovando que grande parte dos empregados que deixam as empresas não estão deixando-as; estão deixando seus chefes. Conclui-se
que liderar, além de outros requisitos, é deixar uma marca nas pessoas e nas organizações.
Liderança e processos de mudança caminham juntos. No entanto, procedimentos e instrumentos administrativos podem ser copiados, mas a liderança não. É por isso que uma das maiores estratégias de competitividade das empresas se apresenta hoje na figura dos líderes que elas possuem, uma vez que um bom líder é aquele que deseja e acredita que mudar é imprescindível para o crescimento e perpetuação das organizações.
| A autoridade é algo que se constrói por intermédio dos valores, conhecimentos, determinação e pelo exemplo. |
Um bom líder não se sustenta pelo poder, pois existe uma grande diferença entre ter poder e ter autoridade sobre as pessoas. A AUTORIDADE representa o que a pessoa é, num estado interior. Envolve as atitudes, as metas, a crença maior. Já o PODER pode ser oferecido ou retirado de qualquer um de nós. E por esses motivos acredita-se que, quando um líder necessita utilizar o PODER para agir ou conseguir algo sobre seus liderados, a AUTORIDADE se rompeu. Esta sempre permanece como uma marca em nossas vidas. Quem não se lembra de um grande mestre, de alguém que nos deixou algo de consistente e que o tempo não consegue apagar? A autoridade é algo que se constrói por intermédio dos valores, conhecimentos, determinação e pelo exemplo.
O processo de mudança é algo que acontece sempre “de dentro para fora”. É algo do querer, do desejar. Da mesma forma, a liderança não se pode oferecer de maneira pronta e acabada a qualquer pessoa. É um processo longo de aprendizado e que necessita do exercício de autoconhecimento para saber o que queremos e desejamos.
O psicanalista Jorge Forbes escreveu um livro com o título Você quer o que você deseja? Essa é uma indagação que devemos nos fazer todos os dias, e buscar nossos DESEJOS nos remete sempre às MUDANÇAS. Mudanças que, na maioria das vezes, protelamos realizar.
Mudanças na vida pessoal e profissional são difíceis de se concretizar, mas são absolutamente necessárias. Porém, mais uma vez destacamos que ninguém é capaz de mudar se efetivamente não desejar a mudança. O preço para mudar nossas atitudes, comportamentos, etc., é alto. Mas o preço pago pela inércia e estagnação pode ser a DEPRESSÃO ou a MORTE. Lembremos sempre da história dos dinossauros e da extinção da espécie, pois somente sobrevive aquele que tem a capacidade de mudar.
Tudo na vida tem um preço. Devemos nos perguntar a que mudanças estamos preparados ou dispostos a fazer, e nunca nos esquecer de que a vida é trabalho, bem como viver é acreditar que mudar é sempre preciso.
José Salvador Silva
Presidente do Hospital Mater Dei

|
 |