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Gripe H1N1: perspectivas para 2010

Simpósio sobre gripe H1N1, destinado a profissionais de saúde e à população em geral, teve entrada franca

No decorrer deste ano, a previsão é que provavelmente a doença H1N1 não será tão intensa como foi em 2009, ano em que a epidemia começou e gerou muito temor nas pessoas. As perspectivas agora são melhores porque há a experiência adquirida pelos profissionais de saúde e pela sociedade em geral quanto às formas de lidar com a epidemia. “Mas, o número de casos pode ser expressivo em função do fator sazonal. E a tendência é que prevaleça forte incidência de gripe comum (influenza) com predominância de H1N1”, avalia Silvana de Barros Ricardo, coordenadora do Serviço de Epidemiologia e Controle de Infecção Hospitalar do Mater Dei (SECIH).

As medidas de prevenção continuam as mesmas, considerando que a transmissão se dá por pequenas gotículas advindas da fala, do espirro ou da tosse, podendo ocorrer de uma pessoa para outra a uma distância inferior a um metro. Outra forma indireta é por meio do contato com alguma superfície contaminada por secreção. Portanto, é fundamental higienizar bem as mãos, com água e sabão ou álcool gel, frequentemente; ao tossir, a pessoa deve fazê-lo com cuidado. “Outra precaução importante é estar consciente que é uma doença transmissível, com a qual devemos ter cautela. Pode ser tratada, mas também pode gerar complicações sérias”, adverte a especialista.

Segundo Silvana, neste ano há a vantagem de se conhecer melhor o perfil da doença, potencial de gravidade e mortalidade, os grupos mais vulneráveis a esta infecção respiratória, como as gestantes. Outro benefício é a vacina que foi desenvolvida e foi aplicada em países do hemisfério norte, por já terem passado pela fase climática propícia à epidemia. Para o Brasil, o período ideal para vacinação é de março, em diante, antecipando o período de incidência da doença.

A logística de distribuição da vacina, adquirida pelo governo federal, já definida pelo Ministério da Saúde, conforme cronograma amplamente divulgado, abrange seis grupos considerados de risco e prioritários. Também, há possibilidade de a vacina ser comercializada em unidades privadas, tão logo ocorra, o Mater Dei irá disponibilizá-la.

Também, a distribuição do Tamiflu continua sob a responsabilidade do Ministério da Saúde. Desta forma, o médico atende o paciente e, para os casos que haja indicação do medicamento, faz-se a prescrição e se encaminha para instituição pública responsável pela entrega. Rodrigo Farnetano, infectologista também atuante no SECIH, ressalta que permanece a recomendação de usar o Tamiflu, somente, em pacientes com quadro grave ou que sejam de grupo de risco. Porém, para uso de pacientes internados, alguns hospitais, entre eles o Mater Dei, recebem uma cota de Tamiflu. Vale ressaltar que o medicamento apresenta mais eficácia se ingerido nas primeiras 48 horas de início dos sintomas de gripe. Mas, ainda não há consenso científico sobre a redução de complicações ou mortalidade. Está comprovado que o Tamiflu reduz a duração dos sintomas gripais.

Medidas para lidar com a Gripe H1N1

Unidade exclusiva para atendimento aos casos de doenças respiratórias transmissíveis, no pronto-socorro do Mater Dei

O Mater Dei adotou uma conduta pró-ativa e investiu na construção de unidade exclusiva para atendimento aos casos de doenças transmissíveis e também às pandemias, como forma de se antecipar à necessidade dos pacientes.

Com objetivo de aprimorar a atuação, preparar as equipes, o corpo funcional para atender melhor os pacientes e orientar a sociedade para lidar melhor com a gripe H1N1, o Mater Dei realizou na primeira semana de março, o simpósio que envolveu diversas unidades do Hospital, como: pronto-socorro, farmácia, controle de infecção e comunicação. Houve, também, a participação de representante da Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde. O evento destinado a profissionais de saúde e à população em geral, teve entrada franca. Dentro dessa iniciativa de treinamento e capacitação, ainda estão sendo feitas palestras informativas em todos os setores do Hospital, visando tornar o fluxo interno mais ágil.

Rodrigo Farnetano explica que, para a internação de pacientes, é primordial que a instituição hospitalar adote medidas como fluxo de atendimento organizado e uso de máscaras por pacientes infectados, estes por sua vez devem ser atendidos em unidade separada das demais. A tendência é que a maioria dos casos não necessitará de internação, receberão atendimento, irão para casa e vão evoluir e recuperar bem.

A.Q.

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