
Em 2008, mais um recurso pioneiro em Minas Gerais foi empregado no Mater Dei: o implante de marcapasso cerebral, também conhecido como neuroestimulador do nervo vago, para tratamento de epilepsia crônica e de difícil controle. O dispositivo é afixado na região cervical e é acionado para emitir correntes elétricas de mínima voltagem e enviar estímulos constantes ao sistema nervoso. Assim, estimula determinadas partes do cérebro, promovendo a redução do número de crises epilépticas e resultando em melhor controle da doença.
O marcapasso cerebral é um aparelho de material plástico, leve e pequeno, que mede 4 cm3, aproximadamente. “É implantado embaixo da pele, na região torácica e proporciona resultados excelentes relativos à redução e até à eliminação dos sintomas de crise epiléptica. É aplicável em casos específicos, quando o paciente não responde bem a tratamentos medicamentosos”, explica o médico Charles Jermani, neurocirurgião que realizou o primeiro procedimento no Mater Dei, em março de 2008.
A utilização dessa técnica é recomendada por neurologistas, a partir de diagnósticos apurados e avaliações minuciosas para medir a real necessidade. É um tratamento adjunto, que não elimina totalmente o uso de medicações antiepilépticas, mas pode substituir parte delas.
Como age o marcapasso
Durante uma crise epiléptica, um grupo de neurônios descarrega cargas elétricas de alta voltagem no cérebro, gerando crises caracterizadas por uma atividade anormal de partes do cérebro e acarretando convulsões e até perda de consciência. O tratamento com o marcapasso consiste em reduzir a frequência e a intensidade dessas crises ao estimular determinadas regiões do cérebro que inibem a convulsão. Depois de implantado, a utilização deve ser monitorada periodicamente por neurologista.
Nova vida para Ana Luiza
O primeiro marcapasso cerebral do Estado foi implantado, no Mater Dei, em Ana Luiza Tavares Simões, de 13 anos. Depois de quase sete anos e diversas tentativas para conter as crises epilépticas, que se agravavam cada vez mais por consequência de encefalite, a paciente recebeu essa indicação médica. Tal recurso proporcionou grande melhora. A mãe de Ana Luiza, Adriana de Souza Tavares, considera que a cirurgia foi um sucesso, pois as reações sentidas pela filha foram positivas e a recuperação rápida. “A adaptação ao aparelho também está sendo muito tranquila”, afirma.
Há menos de um ano da cirurgia, a família já percebe muitos benefícios. “Ana Luiza chegava a ter quatro crises epilépticas por dia e, agora, sob ação do marcapasso, passa cerca de 14 dias sem sentir esse mal. O tratamento proporcionou qualidade de vida à minha filha. Agora, ela terá a oportunidade de vivenciar melhor a infância e a juventude.
Estamos muito felizes e queremos que mais pessoas tenham conhecimento desse recurso”, declara Adriana.