Estudos médicos, americanos e europeus, atestaram que cerca de 85% das recidivas de câncer de mama ocorrem em local bem próximo ao do primeiro tumor; por isso a importância de se aplicar radioterapia na região onde se desenvolveu o nódulo, logo após a sua retirada”, afirma Ernane Bronzatt, um dos coordenadores da Unidade de Radioterapia do Mater Dei. O procedimento chamado radioterapia intra-operatória com feixe de elétrons (IOERT), em que a retirada do tumor e a administração do tratamento radioterápico ocorrem quase que simultaneamente, no mesmo ato operatório, diminui em muito a chance de retorno da doença.
Esse método vem sendo utilizado no Mater Dei e tem gerado ótimos resultados. Os principais benefícios são: a não exposição dos órgãos vizinhos, que poderiam sofrer seqüelas dos efeitos radiativos; proteção da pele, que é também poupada da radiação, evitando queimaduras e ocasionando resultado estético melhor; redução no tempo de tratamento, possibilitando, na maioria das vezes, obter o efeito desejado em uma só sessão. Sem essa possibilidade, seriam necessárias cerca de oito semanas com sessões diárias de radioterapia, após realização da quimioterapia.
É aplicável, ainda, em tratamento de sarcomas e tumores que incidem em outras regiões como as do trato gastrointestinal, cabeça e pescoço, entre outras, passando por diversas especialidades médicas. A radioterapia intra-operatória é realizada por uma competente equipe multidisciplinar, composta de profissionais de várias especialidades médicas, que são: mastologia cirúrgica, radiologia, medicina nuclear, anatomia patológica, além de enfermeiros e auxiliares. “É um procedimento muito seguro, pois permite à equipe decidir sobre as melhores estratégias no ato cirúrgico, a partir de resultado da análise laboratorial feita durante este momento e conhecimentos das diferentes áreas”, afirma Ludmila Siqueira, coordenadora da Radioterapia.
Procedimento intra-operatório em câncer de mama
Um tubo colimador, que restringe o ângulo de radiação, é introduzido na mama e serve de interface entre o acelerador, equipamento de onde sai a radiação, e o local exato de onde foi retirado o tumor (ver figura). Por ele passa a descarga radiativa, em quantidade suficiente para o tratamento, que visa evitar a recidiva de tumores. Por estarem localizados muito próximos às mamas, órgãos vitais como o coração e os pulmões estariam ameaçados pela radiação do tratamento. Mas, com a técnica intra-operatória, estes órgãos, assim como ossos, pele e tecidos, são resguardados e protegidos. Essa proteção se faz por meio de uma placa de chumbo que é afixada por baixo da mama, entre a glândula mamária e o tórax, que reveste os órgãos. Dessa forma, é totalmente isolado o local onde se aplica a dose necessária de radiação.
Prevenir é o melhor
Henrique Salvador, presidente da comissão científica da Sociedade Brasileira de Mastologia e coordenador do Serviço de Mastologia do Mater Dei, afirma: “em tratamentos de câncer de mama, essa técnica é eficaz somente em casos de tumores pequenos, em estágio inicial e que seja único”. Nesse sentido, vale lembrar que a prevenção ainda é a maior arma contra esta patologia. Se diagnosticado em fase inicial, serão maiores as possibilidades de tratamento e as chances de cura. “A mamografia é a principal ferramenta de detecção precoce desse câncer. Portanto, a partir dos 40 anos, a mulher deve submeter-se a esse exame anualmente”, orienta Henrique Salvador.