Videolaparoscopia agiliza recuperação na cirurgia para reduzir estômago
01/10/2005
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Cirurgia por videolaparoscopia diminui riscos no pós-operatório
Cirurgia por videolaparoscopia diminui riscos no pós-operatório
A técnica cirúrgica, por vídeo, para redução de estômago em pacientes com obesidade está sendo amplamente utilizada nos Estados Unidos. No Brasil, a adesão também ganha força pelas vantagens que o método oferece. A equipe de cirurgia geral do Mater Dei, coordenada pelo cirurgião Marcus Martins da Costa, já está realizando este tipo de procedimento, com resultados comprovados.
Depois das definições do Conselho Federal de Medicina (CFM) quanto à cirurgia de obesidade, a indicação clássica da cirurgia bariátrica permanecerá em uso para atender pessoas com Índice de Massa Corporal (IMC) muito elevado. Esse índice é calculado pelos especialistas para avaliar se o paciente está ou não dentro da faixa de peso normal e se ele apresenta ou não indicações para a cirurgia. Patologias como diabetes, hipertensão e artrose severa levam a um tratamento cirúrgico da obesidade mais precocemente. No Mater Dei a técnica convencional já dá espaço para o método por videolaparoscopia, que reduz as complicações no pós-operatório.
O coordenador da equipe de cirurgia geral, Marcus Martins da Costa, afirma que a cirurgia é indicada, principalmente, porque o paciente com obesidade mórbida reduz em média 10 anos a perspectiva de vida em relação à pessoa não-obesa. “O tratamento clínico para emagrecer, nesses casos, acaba por provocar uma recidiva, fazendo com que o paciente volte a engordar. Alguns recorrem ao balão intragástrico, mas esta indicação é feita apenas para o paciente super obeso que necessita perder 10% de IMC para ser operado”. De acordo com o especialista, 100% das pessoas que colocaram o balão intragástrico com a finalidade de emagrecer vão retomar o seu peso anterior após a retirada do balão.
Nova técnica
Segundo Marcus Martins, a cirurgia laparoscópica já se transformou em procedimento de rotina nos Estados Unidos. “No Brasil, a técnica vem ganhando adesão até mesmo pela escolha do próprio paciente, sendo que no Mater Dei a videolaparoscopia é utilizada há cinco anos. Como vantagens, o método reduz as complicações da ferida no pós-operatório, esteticamente é muito melhor e o retorno às atividades físicas, sociais e ao trabalho é mais rápido”. Na opinião do médico, a procura pela cirurgia da obesidade deve-se à ascensão da doença no país. “A alimentação tornou-se mais calórica e o sedentarismo também está associado ao problema. A obesidade já está começando na infância, porque os hábitos alimentares estão piores”.
Marcus Martins explica que a cirurgia por videolaparoscopia dura entre duas e três horas e requer habilidade técnica, preparo e treinamento adequado do especialista. “A técnica mais utilizada no mundo inteiro é a de desvio gástrico a Fobi & Capella, em que se faz o desvio gástrico, para um estômago menor, com capacidade de mais ou menos 200 miligramas de alimentos, além disso coloca-se um anel de silicone no novo estômago que obriga o paciente a alimentar-se vagarosamente e com mastigação adequada. Nessa técnica o restante do estômago é mantido, caso haja necessidade de reversão do processo.”
Para o coordenador, os resultados favoráveis da cirurgia dependem do pré, per (durante a cirurgia) e pós-operatório. “No pré-operatório é necessário que haja uma boa avaliação dos riscos cirúrgicos, envolvendo vários exames além de avaliação cardiológica, endocrinológica, psiquiátrica e psicológica”. O médico recomenda também ao paciente que irá se submeter a essa cirurgia freqüentar reuniões com um grupo de pessoas que já passaram pelo procedimento. A clínica do cirurgião realiza essa reunião há 10 anos, com a presença de outros cirurgiões da equipe, nutricionistas e psicólogos.
Acompanhamento Adequado
O sucesso da fase per-operatória depende de uma estrutura hospitalar adequada e uma eficiente equipe de anestesiologia. No caso da cirurgia por videolaparoscopia, que é considerada um avanço, as condições técnicas são essenciais. “No Mater Dei utilizamos uma tecnologia de última geração, como bisturis ultrassônicos, aparelho de vídeocirurgia de alta resolução além de todos os diagnósticos e recursos para o tratamento de qualquer intercorrência no per e pós-operatório. Isso envolve uma equipe capacitada e disponível 24 horas, durante todo o ano”, destaca o cirurgião.
O médico lembra que o acompanhamento do paciente nesse tipo de cirurgia, no pós-operatório, é para toda a vida, em intervalos periódicos. “Se não tivermos o paciente sob vigilância, ele pode fazer algumas transgressões que poderá comprometer os resultados. É fundamental que o paciente se conscientize da importância de fazer refeições normais todos os dias, atividades físicas regularmente para adquirir nova estrutura corporal. É necessário, ainda, que o paciente realize, após um ou dois anos depois da cirurgia, uma plástica para retirada do excesso de pele e melhoria da auto-estima. Se estiver satisfeito fisicamente, o paciente preservará o seu tratamento”. A equipe coordenada por Marcos Martins é formada por quatro cirurgiões, seis residentes, dois anestesistas e endoscopistas que contam com o suporte de psicólogos, endocrinologistas e nutricionistas