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Tratamento locorregional do câncer
09/02/2012
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O câncer e uma doença complexa onde não se podem aplicar soluções simples em todos os casos. O desenvolvimento tecnológico observado nos últimos decênios permitiu o conhecimento pormenorizado não só dos fatores relacionados com a gênese tumoral, como também propiciou meios mais precisos para o diagnóstico, estadiamento e tratamento de pacientes com doença maligna.
 
Sabe-se que quanto mais precoce é o diagnóstico do tumor, independente de sua localização e tipo histológico, maiores são as chances de cura. Porém, frequentemente, determinados tumores só provocam sintomas quando se encontram em fases tardias de sua evolução, ou porque estão localmente avançados ou porque apresentam metástases a distância.
 
Nestas fases, apesar das chances de cura serem restritas, é fundamental a utilização de medidas terapêuticas adequadas para preservação da qualidade de vida dos pacientes, além de poder incrementar o controle de sintomas, reduzir as taxas de recidiva locorregional, aumentar o tempo de vida livre de doença, tempo total de vida e mesmo a porcentagem de curas. 
 
A Oncologia Cirúrgica e Cirurgia do Aparelho Digestivo aplica no Hospital Mater Dei, técnicas avançadas para o tratamento locorregional de determinados tipos de cânceres, como, por exemplo, o melanoma metastático, tumor de ovário e intestino grosso com extensão para a cavidade abdominal e o pseudomixoma peritoneal. Trata-se de tumores de localização e comportamentos biológicos especiais e, como era de se esperar, demandam procedimentos cirúrgicos específicos.
 
Perfusão isolada de membro com quimioterapia hipertérmica 
No caso do melanoma e sarcomas, a doença locorregional avançada constitui uma situação de difícil controle. Ela pode ocorrer como recidiva local, metástases intralinfáticas, sateliose, metástases em trânsito e doença linfonodal. Esses casos devem ser individualizados e a escolha do tratamento deve levar em consideração a localização, extensão e condições clínicas do paciente. 
 
Dentre as opções de tratamento da lesão metastática encontram-se desde a ressecção simples da lesão até procedimentos cirúrgicos mais complexos como as amputações de membros. A PIM é procedimento cirúrgico seguro e constitui ótima alternativa à amputação do membro comprometido pelas lesões tumorais, visto que pode proporcionar a regressão completa ou parcial das lesões, preservando a função do membro afetado e a qualidade de vida dos pacientes. 
 
A técnica da PIM permite administração isolada de altas doses de agentes quimioterápicos no membro afetado pelo melanoma metastático, sem causar efeitos colaterais sistêmicos já que o quimioterápico não circula por órgãos nobres como pulmão, fígado, rim, cérebro e medula óssea. Usualmente, este procedimento é realizado em solução aquecida (hipertermia), conseguindo-se, assim, potencialização do efeito do quimioterápico já que podemos superaquecer um membro doente, mas não todo um paciente. 
 
Espera-se taxa de resposta completa e parcial após a perfusão isolada de membros em 69% e 15,8% dos casos, respectivamente. Dos pacientes que alcançam resposta completa, esta é duradoura em aproximadamente 30% das vezes e o tempo médio para a recidiva é de 11 meses. 
 
Quimioterapia intraperitoneal hipertérmica com ou sem peritonietomia
Alguns tumores intra-abdominais têm a capacidade de disseminar-se dentro da cavidade abdominal e acometer o peritônio, que é o tecido de revestimento interno da cavidade abdominal.
 
Dentre estes tumores, chamamos a atenção para o câncer de ovário, o câncer de intestino grosso e o pseudomixoma peritoneal (tumor específico do peritônio). Nestes casos, a extensão tumoral para a cavidade abdominal pode ser tratada com a aplicação de técnica cirúrgica avançada associada a quimioterapia intra-abdominal, realizada no momento da cirurgia. 
 
O peritônio é estrutura frequentemente acometida pelo tumor, e em muitas situações, mesmo nas fases iniciais da doença, costuma ser o local onde mais frequentemente ocorrem as recidivas tumorais. Porém, segundo conceitos amplamente difundidos, a extensão tumoral para o peritônio não deve ser considerada como doença em fase terminal. O peritônio atuaria como barreira contra a progressão tumoral e, portanto, seu tratamento específico pode implicar em melhora da sobrevida livre de doença, bem como da sobrevida global.
 
Com isto em vista, em alguns casos, é recomendado a citorredução completa da lesão, ou seja, ressecar todo os tumores da cavidade abdominal (peritonietomia) associada a aplicação direta do quimioterápico dentro da cavidade abdominal no momento da realização da cirurgia. Esta abordagem mais invasiva é justificada pelos benefícios observados no tratamento destas afecções, especialmente no que diz respeito a controle de sintomas.
A quimioterapia peroperatória, é aplicada em solução de diluição aquecida, caracterizando a quimioterapia hipertérmica intraperitoneal peroperatória. As razões para sua utilização residem-se na ação sinérgica da hipertermia e do quimioterápico. Aplicasse o mesmo principio da PIM onde podemos superaquecer a cavidade peritoneal, mas não todo o paciente. A hipertermia permite melhor penetração da droga no tumor, potencializando a ação do quimioterápico além de haver ação direta da hipertermia causando a necrose das células tumorais.
 
Outras vantagens relacionadas a quimioterapia peroperatória seriam a possibilidade de distribuição uniforme da droga em toda a cavidade abdominal, ultrapassando as limitações impostas pelas aderências pós-operatórias e ação do quimioterápico diretamente sobre as células tumorais, poupando órgãos e tecidos nobres não acometidos o que reduz muito a morbidade e mortalidade do tratamento.
Estes procedimentos necessitam de equipe multidisciplinar e especializada, além de estrutura hospitalar avançada, que o Hospital Mater Dei está pronto para oferecer. 
 
 
Responsável técnico
Alberto Wainstein
Cirurgião geral
CRM-MG: 24438